domingo, 16 de maio de 2010
por una cabeza
Por una cabeza
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidéis, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y risueña mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.
Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme
mil veces la vida,
para qué vivir.
Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo jugué mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirar
me hiere al pasar,
sus labios de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
ya no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero.
¡Qué le voy a hacer..!
Alfredo Le Pera
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidéis, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y risueña mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.
Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme
mil veces la vida,
para qué vivir.
Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo jugué mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirar
me hiere al pasar,
sus labios de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
ya no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo,
yo me juego entero.
¡Qué le voy a hacer..!
Alfredo Le Pera
minha primavera aconteceu no meu outono

é realmente muito chato.
às vezes, as pessoas simplesmente resolvem que devem sair da sua vida e pronto: elas somem, desaparecem, viram purpurina.
e você fica lá, com cara de idiota, se perguntando: onde foi que eu errei?!!?
o lance é que nem sempre é a gente que erra. é que tá tudo errado: o momento, o tempo, a fase de cada um, a hora, a vida, a pessoa, sei lá. mas nem sempre as coisas simplesmente não dão certo porque fulano ou sicrano errou.
às vezes, as coisas simplesmente não dão certo porque não era pra ser, não era pra dar certo. nem todas as histórias terminam com o tal "e viveram felizes para sempre".
em boa parte delas, só sobra mesmo o "the end" e olhe lá!
agora, tem histórias que sobrevivem ao seu fim oficial.
histórias que continuam dentro da gente, mesmo que a gente nem perceba.
e é só cruzar um determinado sinal pra que você veja lá os letreiros em neon, bilhando diante de você, como em noite estréia.
e a história se passa toda dentro de você, com os mínimos detalhes.
nada escapa.
nenhum telefonema no exato momento em que você passava pelo último pedágio da estrada.
nenhum alpino que te foi roubado como café da manhã.
nenhuma caixa repleta de sonhos de valsa.
nenhuma viagem por uma estrada totalmente diferente feita demoradamente em plena tarde com o sol se pondo numa sexta-feira qualquer.
tudo fica tão vivo dentro de você. essa história não acabou. essa história não vai ter fim. essa história é pra sempre. mesmo que não tenha o "e viveram felizes para sempre".
mesmo que cada personagem possa até viver feliz e o outro também. mas não necessariamente juntos.
mesmo que um possa ser eternizado em uma plantação de jabuticabas enquanto o outro possa, inconscientemente, usar água de colônia com cheirinho de jabuticabas.
mesmo que um possa preferir ipês amarelos e o outro ipês brancos.
mesmo que um continue escrevendo a história e o outro não leia.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
o brega

outro dia, assisti a uma entrevista com o wagner moura. o cara tá em todas.
o legal foi que ele não foi lá pra falar de olavinho, rede globo, hamlet ou nada assim. foi falar da sua mãe, uma banda dos tempos do colégio que continua existindo e fazendo shows.
foi hilário ver o cara comparando o lirismo dos smiths ou the cure a odair josé ou márcio greik, esses caras que a gente gentilmente chama de bregas.
ele cantou uma música com tamanha doçura que derreteu qualquer coração. e falava do amor de um cara por uma prostituta.
simples assim.
é, ele tem total razão. muita coisa bonita é também brega. o amor é brega. assistir flme romântico na tv no inverno comendo pipoca com cobertor é brega. pedir autógrafo praquele seu ídolo de adolescência é brega. o bino, do carga pesada, é brega. mas tem alguém que não goste dele?
o rei é brega. mas, olha só: eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, como é grande o meu amor por você... me diz, me diz agora: você não ia gostar de ouvir isso? nem um pouquinho?!
duvido!!!
mas, e daí? que me convençam que a vida não é muito mais legal, divertida e abusada se não for também um tanto brega.
Eu tenho tanto
Pra lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você...
E não há nada
Pra comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você...
Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...
Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você...
Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você...
Mas como é grande
O meu amor
Por você!...
desculpa aí, mas é o rei!
p.s. e não é "música brega". é "música super popular brasileira". falei.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
inspirações

é engraçado.
algumas pessoas, na sua vida, têm uma inspiração. acho que algumas não, mas pra falar a verdade, acho que todas têm, bem lá no fundo.
há um tempo atrás, assisti ao último filme do clint (eastwood). ele é uma das pessoas que me inspira. além de ter sido o dirty harry nas ruas de san franscico, ele tem envelhecido de uma maneira tão nobre e elegante quanto ele mesmo.
seus últmos filmes (gran torino, entre eles) são todos sutilmente inspiradores. a trilha sonora costuma ser praticamente perfeita.
tudo tão diferente daquela imagem do homem durão, que parece ter a mão grossa, com aperto firme.
o cinema me inspira sempre. eu adoro.
e as poesias também. música só não inspira os muitos mau humorados, vamos combinar.
aí, ele vem e junta música, poesia e um personagem por si só inspírador: nelson mandela. de novo: como um homem que veio do povo, ficou anos preso numa cela minúscula pôde ser tão sábio e perdoar as pessoas que o colocaram naquela cela.
aí, vem a poesia. tão doce e forte quanto clint e mandela.
isso tudo pode ser muito piegas, mas e daí?!
a gente precisa ser "cult" o tempo todo - ou parte dele?!?!
invictus
da noite que me cobre,
negra como um poço de alto abaixo,
agradeço quaisquer deuses que existam
pela minha alma inconquistável.
na garra cruel da circunstância
eu não recuei nem gritei.
sob os golpes do acaso
minha cabeça está sangrenta, mas erecta.
além deste lugar de fúria e lágrimas
só o eminente horror matizado,
e contudo a ameaça dos anos
encontra e encontrar-me-á, sem temor.
não importa a estreiteza do portão,
quão cheio de castigos o pergaminho,
sou o dono do meu destino:
sou o capitão da minha alma.
william e. henley, poeta inglês nascido em 1849, teve uma vida difícil. tuberculoso desde os 12 anos, teve a perna esquerda amputada aos 16, por causa da doença. trabalhou para sustentar a mãe e os irmãos após a morte de seu pai e perdeu sua única filha, de 6 anos, vítima de meningite. o poema foi escrito no hospital.
terça-feira, 11 de maio de 2010
acordar

hoje eu dormi o dia inteiro. nem tão inteiro assim porque eu levantei agora há pouco. e nem tô com o menor peso na consciência por isso.
eu precisava. minhas noites têm sido tumultuadas, complicadas, é um tal de dorme e acorda que ninguém merece.
e, dessa vez, eu até acordei, comi e dormi de novo.
tô tendo que pensar em tanta coisa quando tô acordada que precisava de um tempinho. afinal, foram alguns anos de quase inércia e agora chegou a hora de mudar algumas coisas. dar um rumo pra minha vida, que anda com tantos rumos desconexos.
sei que tem gente que vai ficar p. da vida, mas a vida é minha, não é?! ou me foi emprestada por alguns anos, então...
tô compartimentizando (???) meus sentimentos, colocando coisas e pessoas em seus lugares.
e, cristo! isso toma tempo, muita paciência, energia e muita, muita vontade e coragem.
então, eu durmo agora porque sei que daqui a pouco as noites serão curtas. os dias serão curtos também. mas a vida terá mais sentido e muito mais movimento.
o cheiro que queria que estivesse ao meu lado estará longe. mas continuarei sentindo do meu jeito.
afinal, certos cheiros ficam pra sempre.
picasso e as mulheres
segunda-feira, 10 de maio de 2010
cheiros e perfumes

caraca.
a gente pode tanta coisa, mas não consegue controlar o que sente. seria tão fácil passar por um lugar e nem sentir um vontade avassaladora de tomar aquele sorvete maravilhoso.
ou ver aquele vestido caríssimo e passar batido sem ficar imaginando o quanto ele ficaria lindo com aquele sapato, aquela bolsa e aquele brinco lindos que você tem.
o pior mesmo é passar por qualquer lugar que seja e sentir aquele cheiro. aquele cheiro que vem não sei de onde e só alguém tem. e esse alguém tá longe, fazendo e pensando e sentindo qualquer outra coisa que você sequer faz idéia. nem nunca passou naquele mesmo lugar.
isso não dá mesmo. você fica tomada por uma paralisia repentina, um sorriso bobo te vem aos lábios e você só consegue respirar fundo, fechar os olhos e aproveitar aquele segundo daquele cheiro tão raro e especial.
o cheiro passa com o vento, você olha pros lados e nada, absolutamente nada mudou ao seu redor.

mas, dentro de você ficou aquela vontade, aquele sensação doce e suave de um segundo. aquela sensação de saber que você vai sentir aquele cheiro outras e outras vezes. que você vai sonhar acordado outras e outras vezes mais.
e aquela vontade de sentir tudo isso, mesmo muito, muito longe, não vai passar. não vai embora com o vento.
vai ficar dentro de você como aquele cheiro que te acompanha.
que você sente nas horas e lugares mais estranhos.
mas faz com que sua vida valha muito a pena. e que certas horas pareçam infinitas.
sábado, 8 de maio de 2010
nunca é demais!
canção do dia de sempre
tão bom viver dia a dia...
a vida assim, jamais cansa...
viver tão só de momentos
como estas nuvens no céu...
e só ganhar, toda a vida,
inexperiência... esperança...
e a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.
nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!
e sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas...
mário quintana
tão bom viver dia a dia...
a vida assim, jamais cansa...
viver tão só de momentos
como estas nuvens no céu...
e só ganhar, toda a vida,
inexperiência... esperança...
e a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.
nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!
e sem nenhuma lembrança
das outras vezes perdidas,
atiro a rosa do sonho
nas tuas mãos distraídas...
mário quintana
sexta-feira, 7 de maio de 2010
eu prefiro assim!

uma família feliz!
vamos combinar que tem dias em que você tem a quase inevitável vontade de sair mandando todo mundo se catar, se fechar num lugar escuro e esperar a vida passar.
não adianta. no mundo há pessoas incrivelmente medíocres e a gente é obrigada a conviver com elas, quer queira ou não.
você pode simplesmente diminuir o estrago reduzindo o nivel de convivência a quase zero, mas cansa! e como cansa!
tudo bem, padre. eu pequei. faz mais de 30 anos desde a minha última confissão... mas que eu tive pensamentos totalmente maléficos sobre tal pessoa, eu não posso negar.
ela, a pessoa, simplesmente manipula as pessoas. consegue o que quer na base da causa e efeito. ela causa alguma e espera o efeito. faz chantagens. mente. dissimula. faz a santa quando sua lista de palavrões supera o de qualquer adolescente revoltado. organiza festinhas de aniversário para mamães e papais tão falsos como ela, que brincam no brasil de "american way of life". combina chá com as amigas e destrói a imagem daquela talzinha que se diz "liberal". afinal, ela, a "talzinha" só fica de olho no marido sagrado das outras.
e ela, a formosa mãe dos pimpolhos, aquela do casamento perfeito e imaculado, supera tudo.
quanta mediocridade! quanta mentira e falsidade. pára que eu quero descer.
mas, não adianta. se desço aqui, logo me deparo com imagem semelhante. o ser humano é um bicho falso mesmo. somos todos ratinhos de pavlov. e quando um desses ratinhos (ou ratinhas) se desgarra, ô coitadinho. ainda bem que ainda vivemos no brasil e açoites em praça pública não são castigo.
olha, eu posso mesmo ser um ratinho desgarrado, mas prefiro os açoites.
mães em fila dupla, tripla, em portas de escola combinando sei-lá-o-que não combinam em nada comigo. e eu prefiro assim.
eu não sei que caminho peguei, mas sei que vou chegar lá.
e, comerciais de margarina são sempre lindos e ensolarados, mas haja trabalho pra margarina não derreter de uma vez sob a luz forte dos estúdios e virar um ranço!
e, como diria truman, bom dia, boa tarde e, caso eu não te veja, boa noite.
é isso.
segunda-feira, 3 de maio de 2010

haja tantas dúvidas pra uma simples mortal quanto eu!
pessoas "normais" não deviam ter dúvidas. elas, as dúvidas, deviam ser exclusividade de filósofos, antropólogos, gente que gosta de questionamentos, que faz disso sua missão na vida.
pra gente, sossegada e já com tanta dificuldade pra viver uma vida simples e tranqüila, deviam ficar apenas e tão somente as respostas.
sim, porque, afinal eles pensam. e a gente ainda tem que pensar e fazer.
escolher caminhos, decidir, saber o que dizer na hora certa, fazer o que a gente pensa ser o melhor pra gente e pros outros.
ô tarefa ingrata!!!
mas, a vida é cheia disso mesmo.
a gente tem que aprender a se privar de certas coisas pra sentir o gostinho de quero mais. a gente tem que ser feliz em poder ser sincera e não enxergar pedras na nossa direção.
a gente tem que aprender a não sentir medo de sentir medo e de falar que "eu não sei". a gente tem que aprender a não ter medo de sentir o que sente nem se sentir culpado por tudo isso.
muita coisa pra uma segunda-feira cheia de sol, calor e cansaço.
sim, cansaço por duas semanas e meia de questionamentos, dúvidas, serás, cheias de talvez e um único não sei.
o não sei ainda vai continuar por algum tempo até que a resposta possa ser encontrada.
mas, o tempo não pára. a vida não pára.
eu sim. eu tô simplesmente tentando parar de pensar tanto, de filosofar, de racionalizar porque tudo isso cansa demais e eu só quero é ser feliz.
falei!
sábado, 1 de maio de 2010
saia justa
vamos combinar.
sempre tive meus ataques de tietagem explícita. há anos, fiquei completamente paralizada ao olhar pro lado em plena calçada da avenida são luís e dar de cara com haroldo de campos.
ai são paulo que me colocou perto de caco barcellos, paulo figueiredo, paulo leminski, zé miguel wisnik, etc e tals.
pra ser bem sincera, depois do meu último episódio de tietagem absurda que prefiro nem comentar pois teve repercussões um tanto prolongadas, fiquei bem na minha. comecei a ficar bem discreta e só teria qualquer outro ataque se me colocassem frente a frente com o marcos uchôa, repórter da globo.
e eis que me deparo, numa tarde chuvosa de sexta, em pleno shopping pátio higienópolis, "acho que", com márcia tiburi. eu fiquei olhando, olhando, olhando, mas não tive a manha de ser a costumeira cara-de-pau e ir lá conferir.
só sei que, depois, olhei novamente pra trás e a moça tinha um meio sorriso porque, acredito, seu acompanhante deve ter comentado que eu olhava insistentemente.
tudo bem que minha mãe vive repetindo que ela é descabelada, chata, "mal amada" e etc. eu só acho ela acadêmica demais e, na verdade, alguém que nem se preocupa tanto assim no grau de amor que lhe dedicam.
mas gosto, sinceramente, dela. e das saias justas, é a minha preferida. adoro as caras de quem simplesmente ignora certos comentários ou que está além daquilo. seus textos são inteligentes sem seres chatos, seu comportamente não me incomoda em nada e eu nem teria esse direito e eu gosto do que ela fala, sobre gostar de ficar sozinha, o medo de sentir medo, e outras coisas que nem sempre são ditas de maneira tão sem compromisso.
agora, pensando bem, eu devia ter sido a costumeira cara-de-pau e perguntado se era mesmo ela. nem ia perder nada com isso e talvez não estaria acordada as quatro da manhã escrevendo, em companhia constante das pessoas que acabam gostando de escrever, a insônia.
é isso.
sempre tive meus ataques de tietagem explícita. há anos, fiquei completamente paralizada ao olhar pro lado em plena calçada da avenida são luís e dar de cara com haroldo de campos.
ai são paulo que me colocou perto de caco barcellos, paulo figueiredo, paulo leminski, zé miguel wisnik, etc e tals.
pra ser bem sincera, depois do meu último episódio de tietagem absurda que prefiro nem comentar pois teve repercussões um tanto prolongadas, fiquei bem na minha. comecei a ficar bem discreta e só teria qualquer outro ataque se me colocassem frente a frente com o marcos uchôa, repórter da globo.
e eis que me deparo, numa tarde chuvosa de sexta, em pleno shopping pátio higienópolis, "acho que", com márcia tiburi. eu fiquei olhando, olhando, olhando, mas não tive a manha de ser a costumeira cara-de-pau e ir lá conferir.
só sei que, depois, olhei novamente pra trás e a moça tinha um meio sorriso porque, acredito, seu acompanhante deve ter comentado que eu olhava insistentemente.
tudo bem que minha mãe vive repetindo que ela é descabelada, chata, "mal amada" e etc. eu só acho ela acadêmica demais e, na verdade, alguém que nem se preocupa tanto assim no grau de amor que lhe dedicam.
mas gosto, sinceramente, dela. e das saias justas, é a minha preferida. adoro as caras de quem simplesmente ignora certos comentários ou que está além daquilo. seus textos são inteligentes sem seres chatos, seu comportamente não me incomoda em nada e eu nem teria esse direito e eu gosto do que ela fala, sobre gostar de ficar sozinha, o medo de sentir medo, e outras coisas que nem sempre são ditas de maneira tão sem compromisso.
agora, pensando bem, eu devia ter sido a costumeira cara-de-pau e perguntado se era mesmo ela. nem ia perder nada com isso e talvez não estaria acordada as quatro da manhã escrevendo, em companhia constante das pessoas que acabam gostando de escrever, a insônia.
é isso.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
tédio ou cansaço?

Alô!
Sabe esses dias
Em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama
Preferia estar na cama
Um dia, a monotonia
Tomou conta de mim
É o tédio
Cortando os meus programas
Esperando o meu fim...
Sentado no meu quarto
O tempo vôa
Lá fora a vida passa
E eu aqui à tôa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Pra livrar-me desse tédio...
Vejo o programa
Que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem
Pois pra mim, tanto faz
Já tive esse problema
Sei que o tédio
É sempre assim
Se tudo piorar
Não sei do que sou capaz...
putz! biquini cavadão, lembram?!
terça-feira, 27 de abril de 2010
bebê na área

um casal de amigos tá grávido.
fiquei sabendo há alguns dias, mas ainda não tinha parado pra pensar.
e é muito legal.
me atrevo a falar que é um casal de amigos porque eu e ele (o marido) nos conhecemos em condições nem um pouco favoráveis.
ao contrário da maior parte das relações desse tipo, nos aproximamos e nos conhecemos primeiro por nossos defeitos e fraquezas do que por aquelas outras coisas prováveis.
e nosso amizade, pela qual tenho um super carinho e respeito, foi construída assim, de longe, falando o que a gente queria já que um não estava preocupado em julgar o outro.
a gente sempre foi sincero um com o outro, ainda que essa sinceridade pudesse ser facilmente confundida com grosseria. compartilhamos segredos, dores e sentimentos que muita gente não entende. até pactos temos.
e assim, por causa dele, me aproximei dela, timidamente, mas tenho um carinho e uma preocupação enormes. além de uma admiração verdadeira porque sei como é conviver com certos problemas e preocupações.
por isso mesmo, posso falar com toda a sinceridade que me senti genuinamente muito feliz por saber que os dois vão passar por um mudança radical e super importante.
e quero muito, muito mesmo, acompanhar tudo isso. de perto, se possível.
sei que eles merecessem um anjinho na vida dos dois.
e vou estar sempre torcendo, assim do meu jeito torto.
thigo e li, vou estar sempre por perto quando e se precisarem de mim! parabéns.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
meio dia no jardim do bem e do mal

jesus!
quantas segundas-feiras tem uma semana?!?!
acordei achando que essa semana será feita apenas por segundas. dor de cabeça, bode total, vontade de ficar no escuro, enjôo, credo!!!
daqui não saio, daqui ninguém me tira.
meus planos de aproveitar um pouco e dar um pulo no mercado municipal, rever a velha 25 de março a procura de quinquilharias foi por água a baixo.
tô em estado de pseudo anestesia.
sol? que mané sol, o que?
sei que tá um dia lindo lá fora, mas minha cabeça explode aqui dentro.
ai como eu queria ser carrie bradshaw, colocar uma daquelas roupas totalmente nada e tudo a ver, um chapéu digno de jóquei clube e dar uma volta de balsa, ouvir o barulho da água e esquecer do mundo.
sinceramente, estou a pessoa mais insuportável e queixosa do mundo hoje.
quem sabe estourar o limite do cartão de crédito ajuda?
aí, toda a dor de cabeça passa pro mês que vem e um modelito armani passa a fazer parte do meu guarda roupa.
ah. sei lá. acho que vou só me enfiar embaixo das cobertas e esperar o dia passar, fingindo que ouço, fingindo que falo, fingindo que me preocupo.
é isso.
domingo, 25 de abril de 2010
quereres

nossa, há quantos dias não me sento aqui pra pensar e colocar minhas idéias em ordem. sam shepard dizia que escrevia pra organizar seu mundo.
tento fazer o mesmo, mas nem sempre dá certo.
hoje o dia foi dos mais morosos possíveis, depois de uma noite estranha de sonhos estranhos.
fico em dúvida em relação a minha consciência. será o mau sono reflexo de contrariedades inconscientes?
não sei e nem cogito resposta.
só que que só faço pensar. e o peso dos meus pensamentos durante todo o dia foi grande.
tenho decisões a tomar, como qualquer pessoa normal em qualquer dia normal.
mas me sinto paralizada, em dúvida profunda em relação aos meus quereres e não quereres. estou longe de minha gatinha que, como uma espécie de consciência remota, me ajuda a tomar decisões baseadas num simples olhar.
os olhares dos gatos nunca são simples, a bem da verdade.
mas seu jeito de olhar, parar, olhar pro lado ou ir, vagarosamente, fechando os olhinhos me diz muito mais que muita gente.
me sinto só e, ao mesmo tempo, rodeada de pessoas que esperam por minha decisões.
e isso me incomoda tanto. nunca quis que ninguém me esperasse pra nada. que nunca dependesse do meu querer.
mas nem tudo é exatamente do jeito que a gente quer.
hoje mesmo, não queria muito mais do uma enorme banheira com água quentinha e um botão de liga/desliga pro meu cérebro. propostas pra acabar com minha dor de cabeça.
mas, nem banheira nem botão.
e uma vontade imensa que essa dor que me comprime o cérebro diminua e me deixe dormir em paz.
eu, meu corpo, minha mente, todos precisamos de uma noite tranqüila.
eu só quero isso e mais nada.
falei!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
pão com mortadela

bem, logo criancinha a gente fica sabendo da importância de refeições bem feitas. é aquele tal de "não come isso agora que depois você não almoça direito". a gente passa a vida toda ouvindo isso, de maneira diferentes, em casa, na tv, em filmes, livros, etc.
pelo menos uma vez por semana, algum programa em algum canal faz uma daquelas reportagens que a gente quase nunca viu sobre "como comer bem".
tudo bem. concordo que a gente precisa dar mais atenção ao paladar, um sentido muitas vezes esquecido.
mas, vamos combinar: um belo sanduíche de mortadela, pão fresquinho, coca gelada, é uma bela, saborosa e nutritiva refeição?
sei lá. só sei que é bom demais. é uma delícia quando você aproveita bem cada mordida, cada gostinho, cada lambida no canto da boca quando o molho escorre.
e a sensação de dever cumprido depois?
afinal, você dedicou minutos preciosos do seu dia saboreando um belo e simples sanduíche de mortadela.
e foi bom, muito bom.
pena que nem sempre a gente lembre dos encantos das coisas simples.
é isso.
ah! o pão com mortadela fez milagres com os meus cachos hoje!
os caracóis dos meus cabelos

quando eu era criança, passei pela terrível agonia de ter 'cabelo ruim". meu cabelo sempre foi muito fino e cacheado, mas naquele tempo (!!!) não tinha esses shampoos, condicionadores, máscaras e cremes de pentear específicos de agora.
conseqüência: minha mãe, sempre controladora, fazia o favor de querer "consertar" meu cabelos. aí, era "bobes" (é assim que escreve?!), secador, touca de um lado, vira touca, uma tortura.
até, que num dos poucos atos de rebeldia da minha adolescência, eu disse chega!!!
e resolvei assumir os cachos. posso dizer que, pelo que lembro, isso era pouco habitual. ou coisa de hippie que tava voltando de woodstock a pé.
mas eu fiquei feliz com os meus cachos.
e, hoje, eu sou completamente feliz com eles, já nem me imagino de cabelo liso e não gosto nem um pouco de secadores e chapinhas.
meus cachos fazem parte da minha personalidade.
e, não tem jeito, eu me tornei a loirinha de cachinhos. tudo bem que dez minutos deitada amassam meus cachos, mas muito melhor assim.
hoje, vejo que assumir os meus cachos acabou por me levar a assumir tantas outras coisas que nem me toquei. traços da minha personalidade que talvez são tão marcantes ou rebeldes quantos os cachos.
e, como dizia uma amiga minha, pareço um anjinho. até a hora em que olho pro lado.
falei!
sexta-feira, 16 de abril de 2010
finais de tarde em são paulo

os finais de tarde de sexta-feira deveriam ser sempre cheios de magia. cores diferentes do céu, aproveitando o sol que se põe, algumas nuvens que misturam nuances, pessoas que andam pra um destino desconhecido.
a gente olha de repente e nem sabe porque aquele dia pode ser tão diferente. porque aquela tarde teve essa sensação que a gente não sabe dizer o que é.
coisas pequenas trouxeram praquela tarde uma dimensão inesperada. gostosa. doce. libertadora.
é. é incrível como algumas relações podem ter um toque libertador. e você pode ser simplesmente quem você é, fazer o que e gosta com alguém que também quer e gosta. difícil de encontrar. difícil se adaptar. mas ainda assim vale a pena.
concessões são feitas como se a gente nem notasse.
os dias passam e a gente simplesmente vive cada dia.
e todo dia é dia.
o segredo dos teus olhos

ontem eu fui assistir a esse filme, que ganhou o oscar de melhor filme estrangeiro. o ator principal, que eu gosto muito, está perfeito, como sempre.
mas, realmente, os olhares roubam o filme. os olhos azuis dele, os olhos verdes dela, os sofridos do outro, os perspicazes. você percebe quem tem história pra contar na maneira como os olhos falam.
e os olhos falam demais, você ouve a qualquer hora durante o filme.
sim, o que os olhos falam não dá pra contrariar. se eles falam demais, é porque a gente deve falar bem menos do que tem coragem...
mas o que mais me surpreendeu durante o filme foi o final.
mas não o final do filme, e sim o final da sessão. eu tinha levantado e estava na escada do cinema e ouvi alguém batendo palmas.
há anos eu não ouvia isso, esse tipo de reação.
aí pude ver que as pessoas no cinema eram em boa parte pessoas bem mais velhas. gente que tinha ido ao cinema pra apreciar a tal da sétima arte de verdade.
um senhor começou a bater palmas sozinho e logo foi seguido por outros. e eu fiquei com vontade de bater palmas pra ele.
puro romantismo, coisa de gente com sonhos. mas é assim que sou e parece que aquele senhor pode não ser muito diferente.
e como é bom saber disso!
ainda existe gente que não está preocupada se vai pagar micos por fazer o que sente, sem olhar pros lados. e ainda tem gente que acha aquilo certo e vai atrás.
o filme realmente foi uma delícia. mas aquele senhor, de quem não vi os olhos, foi melhor.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
então... é hoje!

sim. hoje realmente começo um ano novo. um ano novo pra mim, só meu.
acho que a grande maioria dos arianos pensa mesmo assim! é a pretensão que acompanha os nascidos sob a regência de marte.
mas, é isso mesmo. a partir de hoje, meu ano tem um significado diferente. eu sempre fui assim.
eu vejo o dia do meu aniversário sempre como um renascimento. por isso, a pessoa que eu era ontem será diferente amanhã. alguma coisa vai mudar e ainda não sei bem o que é. talvez mais maturidade ou mais diversão. vai saber!
só sei que aproveito o dia pra mim. pra pensar e cuidar de mim. festas? antes ou depois, mas não hoje. presentes? todos os dias!!!

(...)
hoje eu só quero alegria
é meu dia, é meu dia
hoje eu só quero amor
hoje eu só quero prazer
hoje vai ter que pintar
só quero a massa real
é o meu carnaval
hoje eu só quero amar
hoje eu não quero sofrer
não quero ver ninguém chorar
hoje eu não quero saber
de ouvir dizer que não vai dar
vai ter que dar, vai ter que dar
(...)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
de vez em quando

é. de vez em quando, eu penso: hoje eu vou ficar quieta, vou parar de ficar me expondo, expondo meus sentimentos e vou ficar simplesmente quieta.
mas parece que minha cabeça acaba ficando cheia de palavras pulando, querendo sair e ir parar em um lugar qualquer.
tudo bem. fazer o que? eu sou assim. sempre fui. fico horas pensando em não fazer e, de repente, vou lá e faço logo pra acabar com a agonia, com a minha briga interior, tantas vezes inútil.
mas, e se não fossem os impulsos?! afinal, nosso cérebro não é comandado por impulsos cerebrais? não é isso que faz a vida acontecer?
acho que temos que aprender a parar de menosprezar, subestimar e até renegar nossos impulsos. eles existem por algum motivo.
tudo bem que o mundo gosta de pessoas comedidas. mas, e steven jobs? como ficaria o mundo agora sem uma figura como ele?
é isso. não tenho culpa nem me arrependo de meus impulsos, intensidade nem instabilidade. isso tudo faz parte do pacote. e, se o pacote não estiver completo, a roda não gira nem a vida acontece.
viver pela metade? não penso.
viver sem escrever? não posso.
viver sem ser como sou? não vivo.
falei.
terça-feira, 6 de abril de 2010
sim, eu sou paulista!!!

caraca!
chove desde ontem no rio e não se fala de outra coisa nos dois canais brasileiros mais cariocas: globo e globonews.
tudo bem, é preocupante. mas já foi dito desde o jornal "bom dia brasil" com o renato machado de lencinho no bolso: tá chovendo pra cacete, fica em casa, desencana que hoje não vai dar praia.
desculpe a ironia, mas tá demais!
é que nem doente que fica falando o dia inteiro da dor como se ela fosse passar de canseira de ouvir a mesma coisa.

e dane-se: tô sendo bairrista sim. choveu o mês de janeiro inteiro em são paulo e a comoção acumulada no mês todo não beira ao drama de hoje.
portanto, compre um guarda-chuva e mantenha ao lado do guarda-sol. a cidade é maravilhosa, mas chove no mundo inteiro.
coisas da natureza.
a casa dos sonhos

vou ser direta: como minoria da população mundial, eu definitivamente não tenho o sonho da famosa "casa própria".
essa idéia de ficar presa a uma casa, sei lá, nunca passou pela minha cabeça. tem gente que faz peripécias financeiras para comprar sua casinha, mas eu nem penso nisso.
a minha casa dos sonhos é outra. e eu nunca estive nela. eu a encontrei de bobeira, um dia, fazendo sei lá o que na internet. juro que não lembro como ela apareceu. mas, logo de cara, eu pensei: perfeita.
perfeita pra tudo: pra longos descansos ou longas noites fazendo nada ou fazendo de tudo. parece simples, mas é um lugar que parece mágico pra mim. e, um dia, quem sabe, eu passo uns dias lá. pode ser alugada por temporada e parece estar no meio do mato, mas tem uma praia do lado.
perfeita. eu não preciso de mais do que alguns dias lá com a pessoa certa. e acho que nem agüentaria!!!
mas é sim a casa dos meus sonhos. um sonho que não é só meu!
é isso.
...

pensando bem, pra quem adora "as pontes de madison", não é de se admirar minha fascinação pela tal casa.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
10 coisas que eu nunca pensei que ia ser capaz de fazer...

1. tatuagens: nunca, mas nunca mesmo pensei em fazer tatoos. sempre fui a mais certinha. nem nunca tomei sol. sempre usei roupas super comportadas e até outro dia não usava camiseta regata ou um decote um pouco mais pronunciado. agora termino uma já pensando na outra;
2. parar no meio de alguma coisa, como um curso. pra ser bem sincera, estudei 11 anos de piano sem gostar. mas parei um mba poucos meses antes de terminar. e ouvi um monte da minha mãe, porque afinal eu nunca parei nada na metade, sempre fui até o fim em tudo, mesmo sem gostar, pra testar meus limites, talvez;
3. pensar em voltar a tocar piano. ultimament eu tenho pensado muito e me arrependo de ter vendido o piano porque acho que seria relaxante tocar de vez em quando, sem compromisso, só por prazer;
4. tomar anti-depressivos. terapia super na boa, mas psiquiatra e medicação não. quando comecei a me sentir estranha, procurei uma homeopata que me indicou uma terapeuta que me indicou um psiquiatra. hoje em dia, até tombo já levei por medo de viajar sem os remédios. saí correndo, literalmente, de salto, no meio da rua e fui parar no pneu do carro do meu irmão que foi me levar os benditos que eu tinha esquecido em casa;
5. ter um "caso" com um homem casado. não por preconceito, mas simplesmente porque sempre fui certinha demais (até a minha mãe fala isso) e uma mulher certinha não olha pra um cara casado. o problema é quando eles que vêm atrás de você;
6. ter um "caso" com um homem casado e 25 anos mais velho que eu. muito menos com um homem que admirava por muito tempo. sem maiores comentários;
7. assumir meu lado feminino, sensual, sexual. sempre quis que me ouvissem primeiro, soubessem como eu sou a que me "julgassem" pelo olhar. isso aconteceu com uns vinte anos de atraso, mas tem valido muito a pena;
8.usar qualquer tipo de lingerie pra tentar impressionar um homem. sempre usei peças íntimas discretas, que não marcam e extremamente confortáveis, as quais continuo usando. mas abro exceção agora pra algumas ocasiões;
9. usar maquiagem, usar vestido ou salto, colares, acessórios e etc. hoje, visto de tudo e quase nunca saio sem ao menos um corretivo e "rímel" (o certo seria máscara para os cílios. rímel era ou ainda é uma marca). adoro coisas no pescoço e chapéus;
10. falar publicamente e tão sinceramente sobre sexo como faço hoje. meus pais nunca foram de falar em nada. no "meu tempo", nem se cogitava aulas de educação sexual e as garotas brincavam até os 15.
falei.
p.s. 11. fazer uma listinha de coisas que nunca pensei que faria e fiz...
domingo, 4 de abril de 2010
domingão do faustão

ouvindo a moçadinha do BBB10 no faustão - minha mãe assiste, não tem jeito - eu fico pensando, eu preciso confessar: logo que a tal anelita saiu, eu entrei no blog dela pra ver como a moça que brigava tanto escrevia e etc.
e não é que vi e acabei surpresa, vendo várias coisas em comum?
além de ser briguenta, tem muita coisa escrita lá que eu também penso igual. e tem vários textos da martha medeiros que sabe escrever sobre mulher como mulher, como poucos e poucas. melhor assim que escrevendo hai-kais, martha medeiros foi feita pra textos longos. e que são muito bons.
e, em outras vezes, entrei lá pra dar umas olhadas e pegar umas imagens. ela adora tulipas, como eu. adora séries de tv, como eu. e tem ótimas fotos. e nem é a louca que parecia, com certeza, descompensada. e outra: vamos combinar, ela tinha razão absoluta sobre uma coisa - a lia é chata pra caramba!

agora, uma coisa muito interessante que li lá e não me lembro de onde veio: o lance dos corpos gêmeos. "em tese, uma teoria" que diz que como se procura almas gêmeas, deveríamos considerar que podem haver corpos gêmeos. tipo assim: você sente uma atração geral e inexplicável por outro alguém, mas é isso. pra que se sentir culpado? essa é a pessoa que você quer pro resto da vda na sua cama, banheiro, mesa, cozinha, etc, mas não no resto, tipo dia-a-dia e etc. qual o problema? manuel bandeira diz muito bem o que muitos tentam e não conseguem:
arte de amar
se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
a alma é que estraga o amor.
só em deus ela pode encontrar satisfação.
não noutra alma.
só em deus — ou fora do mundo.
as almas são incomunicáveis.
deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
porque os corpos se entendem, mas as almas não.
é isso.
segunda-feira, 29 de março de 2010
basta olhar!
sexta-feira, 26 de março de 2010
dia de troca de programação

quando você começa a pensar muito, escrever muito ou fazer terapia, depois de um tempo percebe que você nada mais é do que o mais comum dos mortais, nada de extraordinário.
seus medos e sonhos são comuns a boa parte das pessoas.
você pode sim ter experiências diferentes em diferentes fases da vida, mas no final, a vida vira um grande liquidificador ou mixer que mistura tudo e o resultado é óbvio: milheres e milhares de pessoas já sofrerem pelo mesmo, já ficaram felizes até mesmo ao mesmo momento ou descobriram algumas coisas comuns como você.
eu sempre disse que esse papo de ser especial é balela. todo mundo é especial pra alguém. me apropriando de um caso comum, tenho certeza de que quando a mãe da garota supostamente morta pelo pai olhou pra ele nas primeiras vezes, ele era especial pra ela. tanto que tiveram uma filha juntos.
e isso também me faz pensar em como as coisas mudam ou duram pouco na vida da gente. de repente, você acha que não vai viver de jeito nenhum sem alguém. e, momentos depois, esse alguém já era.
um simples olhar pode mudar tudo.
as palavras também. as ações.
a distância entre o fim e o começo está tão perto que a gente quase nunca vê ou pressente. e, aí, te pegam de surpresa.
óbvio que passar a ser especial é bem mais gostoso, mas ainda não dá pra escolher.
enquanto isso, temos que deixar que a vida nos leve.
de preferência, pra caminhos também mais leves.
quinta-feira, 25 de março de 2010
dia 25 de março!!!
caminhando...

ai sono que insiste em me escapar...
engraçado. eu pedi pra que março passasse logo para que mais logo ainda chegasse abril e passasse o tal do meu "inferno astral". e tenho a impressão de que fui atendida.
daqui a pouco começa abril, há alguns dias começou uma nova estação e, ainda que eu seja bem mais primaveril, o outono chega pra mim com bons ares.
vontade de começar coisas novas. olhar com um olhares diferentes. enxergar coisas e pessoas nunca vistas, talvez nem olhadas.
sim, porque além de nunca usar o óculos como devia e estar atrasada pra minha consulta "anual" ao oftalmologista, a pessoa aqui não olha pros lados, nunca vê as coisas que se mostram insistentemente ao seu lado e deixa muita coisa passar em branco quando merecia ser bem colorido.
é, acho que "the time has come" e agora não vou poder me dar ao luxo de fazer de conta que nem percebi e começar a viver a vida com mais intensidade nas horas certas. um jeito assim de ser mais viva, mais esperta, mais feliz, menos dramática, mais solta, mais livre.
porque verdade seja reconhecida e protocolada: eu falo sim que sou livre e blablabla, mas, vamos combinar: um espírito livre como era o meu não se deixaria prender por sentimentos tão pouco certeiros e se deixaria abalar com tanta facilidade.
fui forjada a ferro e fogo. até posso parecer uma "patricinha ocasional", mas não sou. tenho marcas, cicatrizes, história e uma alma cheia de idas e vindas. o poço e seu fundo já me conhecem de outros carnavais.
então, como toda ariana pretensiosa que acha que o mundo todo chegou atrasado, e respeitando marte, armas a postos e que venham os próximos dias, meses e anos.
falei!
quarta-feira, 24 de março de 2010
funeral blues, w.h.auden

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the woods;
For nothing now can ever come to any good.
April 1936
___
Que parem os relógios, cale o telefone,
jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,
que emudeça o piano e que o tambor sancione
a vinda do caixão com seu cortejo atrás.
Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,
escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.
Que as pombas guardem luto — um laço no pescoço —
e os guardas usem finas luvas cor-de-breu.
Era meu norte, sul, meu leste, oeste, enquanto
viveu, meus dias úteis, meu fim-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite, fala e canto;
quem julgue o amor eterno, como eu fiz, se engana.
É hora de apagar estrelas — são molestas —
guardar a lua, desmontar o sol brilhante,
de despejar o mar, jogar fora as florestas,
pois nada mais há de dar certo doravante.
(tradução de Nelson Ascher)
a arte de mudar

a arte de mudar, de se refazer, tem muitas sutilezas que desconheço ainda.
se refazer depois do final de uma grande paixão ou coisa parecida acontece todos os dias, mas "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". isso signfica que nunca é igual, é óbvio.
pra alguns, deve ser mais fácil. pra mim, a eterna apaixonada criada pelos filmes em preto e branco da sessão da tarde, não é nada fácil. se me perguntam: você gosta de literatura, respondo que sim. se me perguntam de que, tenho receio de ser blasè ao falar que adoro os poetas ingleses do século XIX, como donne, yeats, keats e shelley, aqueles que morriam de dor do amor.
mas estar apaixonado não é tudo de bom?
você vê tudo de uma maneira diferente, e parece que os outros te vêem de maneira diferente tb. e tudo é uma delícia. aqueles olhares lânguidos onde você literalmente se derrete e se confunde ao outro, o frio na barriga, o otimismo exagerado, a alegria desmedida.
e você fica linda! os olhos brilham. a pele vira uma seda.
tudo isso é bom demais.
por tudo isso deve ser tão difícil quando uma paixão acaba.
mas, como todo fim dá caminho a um novo começo, basta ser dorothy, poliana ou alice e esperar pela próxima paixão que, como nas comédias românticas de hollywood, pode estar no supermercado ou na fila da casa lotérica.
e, caso o seu brilho esteja um pouco ofuscado, quem sabe sua próxima paixão pode estar no caminho de uma loja de perfumes, gloss, sombras, esmaltes extra brlho?
se a arte imita a vida, não custa imitar a arte e acreditar que o amor acontece a qualquer hora e em qualquer lugar. simplesmente acontece.
falei!
terça-feira, 23 de março de 2010
terça-feira

comecei ontem minha batalha contra os meus moinhos de vento.
digo isso, porque assim como todo mundo, ao menos uma vez na vida, construi castelos em terra pouco firme. e agora é hora de dar uma boa olhada pra eles e ver o que fazer: removê-los de uma vez, deixar que afundem ou tentar salvar o que quer que valha a pena.
sinceramente, ainda não sei. só cosnigo pensar que passei os últimos anos vivendo de brisa, de sonhos e falta de realidade. agora é hora de colocar os pés no chão, ficar esperta e seguir em frente.
não penso só em um relacionamento ao qual não dava nome por não conseguir entender minha própria confusão de sentimentos, mas na minha vida em geral, minha família, meu trabalho, meus amigos. arrumação geral na casa. chega de viver como alice ou dorothy (tô até parecendo o bial...).
é preciso deixar que eu volte. e voltar com força, sabendo dos meus limites e dos limites que voltarei a ultrapassar porque isso faz parte de quem eu sou e quem eu quero continuar sendo.
tenho sido redundante, mas a vida é redundante. vivemos em uma daquelas caixas pra hamsters com aquela rodinha que nunca sai do lugar.
e, quando a gente tenta sair, se machuca.
com várias cicatrizes no corpo e na alma, vou seguir evitando a gaiolinha.
a rodinha que não sai do lugar.
é isso.
segunda-feira, 22 de março de 2010
É Proibido, por pablo neruda

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
a segunda-feira

segunda-feira é sempre o dia "de". de começar a fazer dieta, ir à academia, passar mais tempo lendo do que vendo tv, pensar em colocar em dias emails atrasados, pensar naquela antiga reforma do seu quarto, tentar seguir o que marca na agenda, blá blá blá...
bem, sinceramente, não acho que tenha que fazer nada disso. não há nada que tenha em mente pra começar hoje, primeiros minutos de uma segunda. só uma coisinha básica: cuidar muito mais de mim mesma e me preocupar com a minha vida, meus sentimentos e minhas reações e não com as dos outros.
sim, eu sou daquelas que compra a briga dos outros. se machuca, olha pro lado e se vê machucada e sozinha.
então, basta, combinado?!?!
vou fazer do "eu sozinha". ainda que me dê trabalho e que tenha que me segura várias e várias vezes, vou me colocar acima de tudo e de todos. e não por egoísmo ou egocentrismo. mas por pura instinto de sobrevivênica. ou melhor, instinto de vida mesmo. preciso viver e não deixar as folhas em branco. não deixar que os dias se percam sem que nada aconteça, sem que ao menos uma coisa exista de bom pra ser lembrada. chega de longos dias pensando, pensando e pensando.
ah sim! eu vou é comprar uma cama nova e deixar que todos meus pesadelos e pensamentos ruins sejam levados com a atual e que minhas noites passem a ser preenchidas com sonhos, dormindo ou acordada.
o melhor começo de um dia deve ser uma ótima noite!
falei!
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