quarta-feira, 31 de julho de 2013
o que eu ainda não conheço
hoje, definitivamente, eu reconheço a minha incapacidade de lidar com o desconhecido.
eu estou francamente assustada. assustada por tudo o que tem me acontecido e também com o que ainda não me aconteceu.
me desejaram mal, me fizeram mal, me tiraram coisas e tempo. me tiraram vontade, alegria, pessoas. e eu nem sabia.
eu não sabia que fazia o que não devia. eu fiz por carinho. nada simplesmente por interesse.
eu fiz porque não era a única a ficar feliz. mais alguém ficava feliz comigo e por mim.
agora, tem começo uma outra vida. a vida do depois.
o depois de ter aprendido muito. de ter sofrido muito. de ter coisas feito coisas erradas e ter sido feliz por muitos momentos.
sim, foram apenas momentos.
momentos que não esquecerei. momentos que fazem parte de quem eu sou e momentos que também tirei de alguém.
começa agora uma outra fase. a fase de aprender comigo mesma e mudar tudo o que está errado. estou mais forte, mais consciente, mas sinto medo.
o tal medo daquilo que ainda não conheço.
o medo do não sabido. o medo do ainda não feito.
mas eu vou... sim, eu vou! pra onde e como? nem sei.
mas, mais tempo eu não posso perder.
domingo, 21 de julho de 2013
ctrl + alt + del
é, em tempos de "conhecer, flertar, namorar, se apaixonar perdidamente, noivar e marcar casamentos virtuais", eu acabei de ser sumariamente deletada.
sim, deletada com requintes de crueldade de tudo quanto é rede social, whatsapp, torpedos e etc. nem ligações restritas.
é. eu, a garota que sempre adorou liberdade, fiquei com minha área de atuação totalmente restrita. ou eu dou a cara a tapa logo de uma vez, ou eu desisto. ou parto pra briga corpo a corpo ou já era.
bem, vamos ser sinceros. eu não vou dar a cara a tapa. eu não atrás de ninguém. deu pra mim. depois de tantas frustrações e foras, muitas vezes, comentados e expostos aqui, já deu.
não, eu vou parar de pensar. não vou olhar a página no facebook nem nada.
vou sentar e esperar o trem, o bonde e a banda passar.
depois de ter retocado a tatuagem do ombro e re-estilizado a das costas, preciso dar um novo sentido à do pulso. estou presa. totalmente presa. liberdade zero. não pertence a mim minha capacidade de ir e vir. de fazer ou não fazer.
o 21 de dezembro passou, o mundo não acabou e eu estou aqui, no domingo a noite, fazendo pesquisa e listinha de empresas pras quais posso mandar currículo.
sem nem um pingo de esperança.
não a esperança de que alguém responda ao meu currículo. aquela esperança que deixa a gente quente por dentro. o coração cheio, pulsante. não tô cantando e dançando como faria, imitando reese whiterspoon no filme na tv. tô aqui sem graça, sem sal nem açúcar, fazendo listinhas.
a vida pode ser tediosa de maneira intolerável algumas vezes.
é isso.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
destinos e desatinos
e já que confessei um pecado, por que não confessar uma fraqueza?
eu digo que não, mas é mentira. eu estou totalmente apaixonada por ele. total e perdidamente. se é sonho meu, não sei nem quero saber.
mas como eu gostaria que fosse diferente. que ele estivesse aqui por mim e não esperando o tempo passar. que ele me procurasse nas ruas, no carro parado ao lado no sinal fechado, nas tardes de shoppings lotados nas férias escolares, nos parques onde o sol é quente.
quente. como eu queria poder sentir o calor dele que caminha sob o sol. o mesmo sol que entra pela minha janela.
como eu queria saber a hora em que ele acorda ou quando vai dormir. tem tanta coisa que eu queria que nem sei mais.
mas, uma coisa eu sei: a indiferença que a gente finge, machuca.
machuca e me faz perder o sono. porque eu só queria mesmo era um abraço e a certeza de sentir esse abraço outras vezes, em outros lugares, muitas vezes.
sim, eu não posso negar. meus dias são dele.
meus pensamentos são dele.
tudo em mim é dele.
talvez a indiferença também seja só dele, como também é dele o orgulho.
quem sabe um dia, isso tudo mude.
e eu ganhe um abraço bem apertado num parque em dia de sol!
quarta-feira, 3 de julho de 2013
confissão
eu sinto uma coisa da qual sinto vergonha. eu sinto inveja sim, inveja.
esse é meu pecado.
mas inveja do que, podem me perguntar.
eu sinto aquela ponta de inveja quando vejo casais improváveis na rua, quando vejo a cumplicidade entre duas pessoas, quando vejo que aquele "o" faria de tudo por aquela "a".
e, de novo, me perguntam: você?!?!
como eu poderia sentir inveja disso? inteligente, culta, simpática, envolvente, sorriso contagiante, divertida, generosa...
eu não sei qual a resposta.
tem vezes em que vejo algumas mulheres por quem certos homens movem o céu, o mar, fazem com que o impossível pareça coisa do dia-a-dia.
e morro de inveja.
é horrível dizer ou pensar ou sentir isso, mas eu sinto.
eu não sou uma pessoa amarga nem triste nem nada.
mas também não sou amada.
e, por mais que me perguntem, por mais que eu me pergunte, eu não sei.
e eu nunca vou saber.
terça-feira, 18 de junho de 2013
depois, antes e agora
agora, justamente nesse minuto, eu queria poder fechar os olhos e voltar dias no tempo. não precisava de mais do que alguns dias pra consertar uma grande besteira.
dizem que "quanto mais a gente mexe, mais a coisa fede". particularmente, acho isso horrível, mas agora nada mais verdadeiro.
pra que querer saber o que não me foi dito por você. pra que querer saber como foi a sua vida depois, antes e agora. depois que a gente se conheceu, antes que a gente se reencontrasse e agora, quando tudo parece tão difícil, complicado e nebuloso eu não sei mais que desculpa usar, eu não sei como dizer, eu não sei mais como mostrar o que não sei se sinto. eu só não sei mais nada.
não sei se acredito em anjos, nem sei porque sempre penso em renato russo quando falo neles. só sei que num desses dias em que resolvo sair do casulo e escrever palavras em sequências que, de vez em quando fazem sentido, eu disse que ainda há quem acredita em anjos.
meu querido anjo da guarda, que veio me encontrar em formato de uma gatinha linda, está aqui, como sempre, perto de mim.
se existem anjos, eu não sei.
mas se existe amor sem imposições ou senões ou porquês, ele está aqui, no meu colo. sempre aqui, perto de mim, numa gatinha linda, tão pequenininha que roubou toda a minha vida e tem todo o meu amor.
e você, continua longe e não posso ao menos te ouvir, sentir teu cheiro nem saber a diferença que faria o calor das suas mãos ao segurar as minhas ou o calor do seu corpo ao sentir o seu abraço.
por favor, deixe que suas asas falem por você e venha me encontrar.
por favor, me faça acreditar em anjos.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
nada mais importa
olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também. tá me entendendo? eu sei que sim. eu entro nesse barco, é só me pedir. nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. porque sozinha, não vou. não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo o comer direito, vou todo dia pra academia, mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade, muita vontade! eu começo a ler sobre ficção científica, esportes e até sobre a dissolução da união soviética. aprendo a pensar – ah, isso não! – se precisar. mas, não esqueça, você tem que remar também. eu sou de desistir fácil, de virar a página, você tá sabendo. e talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só você me pedir. perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. mas você tem que prometer que vai remar junto comigo. mesmo se esse barco estiver furado, eu vou, basta me pedir. mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nada junto. eu detesto praia, você sabe, mas você me ensina a nadar, mas você tem que prometer que vai acreditar em mim, que vai tentar, que vai se esforçar e que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, tem que ser sério. se não, eu fico. me mostra que vale a pena. que por você vale a pena. que, por nós, vale a pena. que vale a pena tentar. que vale a pena remar. remar. re-amar. amar.
ufa. falei.
domingo, 16 de junho de 2013
então tá então
tem horas em que eu só queria abrir os olhos e esquecer, não sentir, não pensar em nada. pra que dar tanta atenção pra um sentimento que mal existe? nada nunca foi real. pura imaginação de um mente fértil e romântica.
são sempre (acho) os amores platônicos que, de amores, não têm nada. como existir amor se o outro é mera idealização do que você queria que fosse?
e como eu me perco nisso tudo. eu perco o rumo, saio do prumo mesmo.
eu fico ansiosa, eu penso demais, eu sinto demais, corro demais.
fico procurando coisas onde elas não existem. onde não existe porque nada existe.
filosofias demais pra quem não gosta de nada disso.
eu juro que não queria nada. não queria ouvir de novo o secador de cabelos da vizinha nem queria ter que tirar a minha gata que insiste em se ajeitar entre o notebook e eu e, de maneira carinhosa, percebendo que o que existe é dor, e lambe a minha mão.
ela se senta resignada tanto quanto eu.
infelizmente, é essa minha atitude diante do que eu sempre insisti em não ver: resignação.
ela se deita docemente, coloca a cabecinha no meu braço e termina o texto.
não vou tirar da minha gatinha o aconchego que eu queria ter pra mim. apenas me recostar em um ombro e ficar olhando a vida lá fora.
por hoje, e por outros dias, é isso.
basta e punto.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
a felicidade que se compra
ah, como eu queria! eu queria que, ao menos, por uma vez, fosse tudo quadradinho, tudo direitinho como em todas as comédias românticas de hollywood, todas as novelas com final feliz e todos os contos de fada com "e foram felizes para sempre".
mas, não é. simples assim! simplesmente, não é. enquanto eu brigo com essa porcaria desse notebook, essa porcaria de calendário marca o legendário dia 12 de junho, dia dos namorados. vamos combinar: ainda existem namorados nesses dias de namoros e traições virtuais, quando "ficar" deixou de ser sucedido por "em" para ser sucedido (bem ou mal) por "quem"?! antes, eu ficava em casa. agora, o joão fica com a maria e, se rolar, eles se tornam ficantes fixos e, quem sabe, namorados.
eu nem sei mais se sou careta ou romântica. aliás, eu nem sei mais o que faço nesse mundo onde os valores me parecem mais distorcidos do que nunca.
me desculpe, mr. capra. mas onde foi parar a felicidade que não se compra? porque agora é fácil: você faz um cadastro em um site na internet e eles te acham o par perfeito, o cara ideal, mr. right.
e sou eu quem peço desculpas e me sinto no lugar e na época errada? sou eu a careta que queria um dia normal? assim como sou que quero que o dia dos namorados se dane?
amanhã é dia de santo antônio e dia 12 é simplesmente véspera do dia 13. então, como diz meu querido amigo, oremos.
só que não!!! até para santo antônio tem um monte de orações diferentes.
sendo assim, só converse com deus baixinho e agradeça, com toda a pureza do seu coração, e ele entenderá, não só porque agradece mas do que você precisa.
terça-feira, 11 de junho de 2013
você nem sabe...
é. eu sou mesmo instável emocionalmente. não dá pra ser sempre a mesma coisa todo dia. mas meus sentimentos mais puros e verdadeiros sempre se mantêm os mesmos. e, entre eles, você nem faz ideia do quanto eu me preocupo com você.
e estou longe. muito longe. mais longe do que alguém deveria ou poderia estar de outro alguém que pode amar, gostar, admirar, respeitar... eu achava que a gente vivia em mundos diferentes mas, nas últimas semanas, vi que não. lá dentro, você continua o mesmo. seus princípios e seus valores permaneceram e você não se deslumbrou com a vida lá fora, a vida que te mostraram.
eu posso estar totalmente enganada, como já estive outras vezes, mas... será uma vez diferente. é uma vez platônica, sem envolvimento nenhum pra que nenhum coração sofra mais do que deve ou mais do que pode.
eu achei muitas coisas escondidas em mim nesse ano.
e achei você. um anjo caído do céu em pleno momento de mar turbulento, céu escuro.
e é por isso que você vai continuar onde está e eu onde estou. pra que nada mude, ninguém sofra e, caso o destino ou o quer que seja, resolva nos juntar, isso vai acontecer. porque meu coração tá cansado de sofrer. e você já tem uma paixão quase maior que o mundo.
continue voando assim. doce, meigo, sereno... as coisas virão quando elas tiverem que vir.
afinal, eu sou instável e tudo pode mudar.
ainda assim, olho por você.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
e, como sempre, eu volto...
é sempre assim.
eu penso, penso, penso. escrevo, escrevo, escrevo.
quando leio as coisas que eu mesma escrevi aqui, nem eu me reconheço. sou eu que escolho essas palavras e as coloco nos lugares onde estão?!
e é sempre assim que eu volto pra cá, pra esse meu lugar quase não compartilhado. quando me sinto vazia com tantos sentimentos, tão confusa e, ao mesmo tempo, tão sensata.
parece que só mesmo as palavras me entendem. ou só eu mesma me entendo com as palavras? porque o que sinto sai assim, como se fosse a coisa mais natural e normal do mundo.
é manhã. eu devia estar acordando pra mais um dia na vida de sophie fisher. mas, como se eu nem dormi?!
como se eu não consigo me achar aqui onde estou?
como se levei mais uma porrada por fazer algo tão doce e sem maldade?
sim, infelizmente, muitas pessoas têm maldade. elas chutam cachorro morto, sem dó nem piedade. não que fosse preciso. só era necessário o coração aberto e um pouco de compreensão.
sei lá.
é mágoa, confusão, gente que não se entende.
e gente que não entende.
é chato. simplesmente chato.
domingo, 7 de abril de 2013
querer quem se tem!
ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste
como sempre.
mas, pela primeira vez, triste por você. fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de ais de 40 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
que outra mulher te veria além da sua casca? você não entende que eu baixei a música do “midnight cowboy” e umas boas do talking heads, vinícius de morais e do smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. é tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. e você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.
você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. a casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas “quem gostar de mim não serve pra mim”.
e eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. e entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. a gente dá muitas risadas juntos. a gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. a gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. a gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. a gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
e você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. e sempre volta.
volta porque pode até ter uma coxa mais dura. pode até ter uma conta bancária mais recheada. pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. mas não tem nenhuma melhor do que eu. não tem.
porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. e, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. e, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. e, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. e, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. eu sei de tudo. e eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. mas chega disso.
caiu finalmente a minha ficha do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. e do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. sabe o quê? eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. e não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. e eu não malho todo dia igual a essas mocinhas por aí, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.
bastante assunto.
eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.
eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que todos adoram. mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. e eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim.
mas, pela primeira vez, triste por você. fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de ais de 40 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
que outra mulher te veria além da sua casca? você não entende que eu baixei a música do “midnight cowboy” e umas boas do talking heads, vinícius de morais e do smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. é tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. e você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.
você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. a casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas “quem gostar de mim não serve pra mim”.
e eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. e entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. a gente dá muitas risadas juntos. a gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. a gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. a gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. a gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
e você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. e sempre volta.
volta porque pode até ter uma coxa mais dura. pode até ter uma conta bancária mais recheada. pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. mas não tem nenhuma melhor do que eu. não tem.
porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. e, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. e, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. e, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. e, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. eu sei de tudo. e eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. mas chega disso.
caiu finalmente a minha ficha do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. e do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. sabe o quê? eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. e não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. e eu não malho todo dia igual a essas mocinhas por aí, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.
bastante assunto.
eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.
eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que todos adoram. mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. e eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
livros, muitos livros
há aqueles que não podem imaginar o
mundo sem pássaros;
há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água;
ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.
há aqueles que não podem imaginar o mundo sem água;
ao que me refere, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros.
(jorge luis borges)
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
o "toque" daquele bombom...
o inesquecível forrest gump sempre falava que sua mãe lhe dizia que "a vida é uma caixinha de bombons. você nunca sabe o que vai encontrar."
eu sempre brinco e digo o mesmo sobre mim mesma, só que me extendo e digo que, com certeza, você vai encontrar algo doce.
de vez em quando, eu ando amarga. em outros dias, como o de hoje, um sorriso bobo me ilumina o rosto e me torno a pessoa mais doce do planeta. felicidade passageira? não. é só a recuperação do sentimento bom de viver. de sentir-se viva e ver que seus sentidos estão sempre ali, guardados, mas intactos.
com certeza, o toque, o sentir na pele é uma das coisas mais gostosas do mundo. você sentir um corpo quente, um abraço apertado, um beijo roubado ou um carinho bobinho é bom demais.
e, sim. sinto que o toque continua em mim, mesmo que aquele breve momento da escolha do bombom tenha passado.
obrigada.
pronto. falei.
domingo, 18 de novembro de 2012
nunca aconteceu...
eu tenho plena certeza agora, isso nunca aconteceu comigo antes
eu encontrei você e agora eu estou certa
isso nunca aconteceu.
agora eu consigo ver como sempre deveria ter sido antes
(me) eu encontrei (em) você e agora eu vejo
como tudo deveria ser
esse é o jeito que deveia ser para os apaixonados, para os amantes
eles nunca deveriam tentar seguir sozinhos
não é tão bom quando você tá só com você mesma
então, venha pra mim porque agora a gente pode ser do jeito que a gente sempre quiser sereu encontrei você e agora eu estou certa
isso nunca aconteceu.
agora eu consigo ver como sempre deveria ter sido antes
(me) eu encontrei (em) você e agora eu vejo
como tudo deveria ser
esse é o jeito que deveia ser para os apaixonados, para os amantes
eles nunca deveriam tentar seguir sozinhos
não é tão bom quando você tá só com você mesma
eu amo você e agora eu posso ver
esse é o jeito que deveria ser para os apaixonados, para os amantes
eles não deveriam tentar seguir sozinhos
não é tão bom quando você tá só com você mesma
eu te encontrei e agora eu estou certa
isso nunca aconteceu antes.
(música de paul mccartney, numa tradução mais do que livre de sophie fisher ou kate forster...)
e que tudo mais, vá....
hoje eu diria, como ouvi outro dia, que estou com aquele gosto amargo de giló na boca.
só tô reclamando da vida há dias. tento olhar pra frente, ser otimista, levantar a cabeça e todas aquelas baboseiras que a gente pode ler nos livros do augusto cury (mas, por favor, não leiam).
eu tô de saco cheio, é isso.
eu tô sem paciência pra nada e queria dormir dias e dias seguidos. a vida dá rasteiras demais na gente. tô cansada. acho que vou jogar capoeira pra aprender a dar rasteiras também.
só sei que nada sei nem quero saber.
quero sumir, desaparecer e dane-se.
eu fiz a maior (até hoje, eu diria que foi a maior por ter sido consciente!) besteira da minha vida, me joguei onde achava que era algo sólido e era areia movediça. só falta me calar...
é isso. cansei
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
ah...
uma simples expressão, uma sílaba, um som que pode dizer tanta coisa.
ah, que pena.
ah, que bom.
ah, eu queria ir com você.
ah, isso era tudo o que eu queria.
ah, que susto!
ah, você já sabia...
ah, é óbvio que eu me lembrava.
ah, eu não esperava por isso.
ah, eu te amo assim mesmo.
sim, todos esses ah's se aplicam a todos os meus sentimentos atuais. e outros ah's que eu não me lembro agora. afinal, podem até brincar, mas eu não sou a wikipedia.
só sei que "ah, como sinto saudade de você. ah, como sinto saudade do seu beijo, ah, a noite tá fria e perfeita pra ficar deitada no seu peito...".
aliás. ah! eu nunca disse como adoro o seu peito. o quanto me traz segurança, paz e proteção.
aliás, eu deixei de falar tanta coisa pra tanta gente durante a minha vida.eu me lembro de tantos sentimentos que ficaram guardados aqui comigo. algus bons. outros, ruins.
ah, como eu queria ser diferente do que sou.
ou...
ah, eu realmente não queria mudar em nada.
por mais que eu não esteja em paz comigo mesma, foram longos e doloridos anos pra que eu chegasse até aqui. e, espantem-se, eu não poderia ser de jeito diferente nem melhor. eu sou exatamente do jeito que eu gosto de ser. sarcástica, estilosa, charmosa, glamourosa, elegante, cheia de classe, inteligente demais, divertida, nervosinha, briguenta, chorona, marrenta, carinhosa, romântica, instável, impulsiva, intensa, nada discreta. eu sou eu. simples como a vida. simples assim.
eu sou a katia, entre outras.
é isso.
ah! como eu sou modesta!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
de volta a elas
o sono não voltou mesmo. vamos tentar as palavras então.
sei que ando com um assunto um tanto recorrente, mas fazer o que? não penso em outra coisa...
mas, nessas últimas horas, fiquei lembrando em como pensava que seria nosso primeiro encontro. é, como que a gente ia se reconhecer no meio dos mais de 7 bilhões de pessoas do mundo.
e parecia tão fácil.
seria assim, bem bobinho (como eu).
certamente, seria numa praça. e a gente estaria andando na mesma direção, vindos de pontos opostos.
você teria flores nas mãos. e eu não carregaria nada.
cansada de olhar pros lados, eu sentaria num banco qualquer e ficaria daquele meu jeito, olhando pra tudo, sem óculos pra ver tudo embaçado e me ocupar tentando adivinhar o que é que tava rolando.
e, sem que eu esperasse, nem você, você ia se cansar também e perguntar se podia sentar ali, de maneira até mal educada, e eu responderia da mesma maneira, olhando pro outro lado, tipo "senta, caramba. tanto banco e você escolhe logo esse, cara chato".
só que eu ia sentir um cheiro. um cheiro que sentia sempre quando pensava em você.
e esse cheiro não viria das flores.
eu ia colocar os óculos, olhar pro lado e dar de cara com você olhando pra mim com o sorriso mais besta do mundo.
e, assim, toda a procura e a espera teriam fim.
engraçado, tirando certas licenças poéticas às quais sempre me permito, foi numa praça. e você não levava flores. e a gente nem chegou a sentar em nenhum banco.
no mais, a procura e a espera tiveram fim.
dias difíceis
os últimos dias têm sido de extrema dificuldade. em algumas horas, olho pra mim mesma e não me vejo. pergunto onde estou e não me ouço.
mas sei que continuo aqui. nem que seja nas pontas dos meus dedos.
hoje, como milagre, adormeci de bobeira. há muito tempo não me entregava assim sem perceber. pena que acordei.
a triste consequência é ficar perambulando na madrugada sem saber o que fazer... como se eu dormisse todas as noites direitinho!
noite fresca, gostosa. a piccola dorme enrolada do meu lado e olhar pra ela me traz conforto. quase metade da minha vida foi dividida com ela, uma benção. lembro direitinho quando ela, muito pequenininha, escalou a mesa e agarrou uma sobrecoxa enorme de frango. foi quando descobri que ela adora frango.
a energia de um bichinho desses não pode ser explicada. com ela, nunca me sinto sozinha, nem emocionalmente desamparada. sei que ela sabe o que acontece dentro de mim. e que cuida de mim. é meu anjo da guarda.
eu acordo ela, encho de beijos e ela fica com cara de brava. depois, esconde o focinho embaixo das patinhas e volta a dormir.
quem dera eu fosse uma gata. e pudesse ser seu anjo da guarda.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
gatos na chuva
eu adoro gatos. eu simplesmente não adoro gatos. eu A D O R O gatos.
dizem que tenho alma de gato.
sete vidas. sete pecados. sete maravilhas do mundo. sete dias da semana, sete cores do arco-iris. sete anões. sete ondas pra gente pular. sete orixás. sete chakras. caramba, qual seria o mistério do número sete?
bem, isso fica pra outra hora.
o lance é que os gatos são mágicos. eles têm uma sutileza que nunca vi em ninguém. a minha gatinha inspeciona tudo o que entra em casa. se ele não gosta, deixa logo claro.
e a sua lealdade é impressionante. ela sabe quando minha alma dói, quando chora e precisa dela. chega, me cheira de leve e se senta na minha frente, como se me dissesse: e aí, me conta tudo!
e eu amo essa gata demais. ela sabe de mim mais do que ninguém e esteve ao meu lado também mais do que ninguém.
e, agora, estamos aqui juntas, sentadas, olhando de maneira displicente a chuva. não sei o que ela pensa sobre essa água que cai do céu.
nem sei o que eu penso. só sei que esse papo de que gato não gosta de água é besteira, eles adoram, pricipalmente água em movimento, e que eu só queria que essa chuva lavasse minha alma e levasse tudo de ruim, tudo o que não faz parte da alma de um gato.
gatos são outro mistério. mas esse eu nem discuto.
só me dou o prazer de sentir a companhia da minha gata. e aprender um pouco com ela.
como agora: sentar, olhar a chuva e esperar que a vida se torne menos chorosa e nebulosa.
pronto. falei.
e, pra gatinhas descoladas, fica uma dica da pi...
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