meu velho e bom amigo, sempre aqui, pronto, como que me esperando.
sim, é a decepção que me traz de volta mais uma vez. é ela que me faz pensar em coisas que eu não pensaria normalmente, como em como é bom acordar e não pensar com amargura em alguém que lhe foi muito querido, e que já acordei pensando e sorrindo na mesma pessoa.
é, mais uma vez alguém se foi da minha vida.
é, mais uma vez um dos 7 bilhões de humanos da terra, em sua porção masculina, se mostrou não ser meu príncipe encantado.
como é doce a sensação de gostar de alguém. sinto muito mais falta disso do que de qualquer outra coisa. é pra isso que os sentidos existem. pra que a gente os faça valer convivendo com pessoas.
a visão de um sorriso que te olha.
a sensação, o tato da perna que roça a sua.
o ouvir de palavras que, pra você, naquela hora, não fazem o menor sentido.
o paladar, a vontade de sentir o gosto do outro, seja suor, seja lá o que for.
o olfato, aquele cheiro que só você sente e só o outro tem.
e os pecados então?! a gula, a luxúria, a preguiça depois do amor...
mas não adianta. outra vez eu me vejo com meu laptop na cama e as palavras nas pontas dos meus dedos que já não fazem mais carinho em suas costas.
sozinha outra vez. eu, minhas palavras, minhas poesias, meus pensamentos.
dessa vez, um pouco mais forte. minha tristeza, minhas lágrimas, meu pesar e uma vontade imensa de cavalgar em um lindo cavalo branco.
falei.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
quinta-feira, 31 de maio de 2012
stormy days around
dias sombrios e eu me volto pra você, uma espécie de porto seguro.
posso escrever o que quiser, sentir o que sentir e você simplesmente não me recrimina. só me oferece uma página em branco pra que eu possa escrever e colocar um pouco pra fora tudo o que eu sinto, que é tão assim doloroso.
não reclamo da vida. tenho a melhor que poderia. ótimos amigos, pais melhores que o mundo, carinho, atenção e conforto.
só que, ainda assim, algum lugar dói em mim. aquele que só eu posso controlar, só eu posso saber, só eu posso entender ou não...
muitas coisas aconteceram desde o último dia 12 de abril, data da última postagem.
muitos dos meus sentimentos foram colocados a prova, muito do que eu acredito foi colocado a prova e meu orgulho também.
já não sei se sou tão boa como acredito ou acreditava ser.
sim, minha auto estima anda totalmente em baixa. será que?!
engordei, minhas unhas estão quebradiças, tenho que retocar minhas luzes.
tudo tão fácil, mas aquele sentimento lá no fundo só eu mesma posso contornar, conversar com ele e tentar me entender.
é preciso paciência. e muita humildade.
pra pegar todos os pedacinhos que sobraram do último furacão pra me colocar de volta no lugar.
graças a deus, mantenho a serenidade.
punto. e basta!
posso escrever o que quiser, sentir o que sentir e você simplesmente não me recrimina. só me oferece uma página em branco pra que eu possa escrever e colocar um pouco pra fora tudo o que eu sinto, que é tão assim doloroso.
não reclamo da vida. tenho a melhor que poderia. ótimos amigos, pais melhores que o mundo, carinho, atenção e conforto.
só que, ainda assim, algum lugar dói em mim. aquele que só eu posso controlar, só eu posso saber, só eu posso entender ou não...
muitas coisas aconteceram desde o último dia 12 de abril, data da última postagem.
muitos dos meus sentimentos foram colocados a prova, muito do que eu acredito foi colocado a prova e meu orgulho também.
já não sei se sou tão boa como acredito ou acreditava ser.
sim, minha auto estima anda totalmente em baixa. será que?!
engordei, minhas unhas estão quebradiças, tenho que retocar minhas luzes.
tudo tão fácil, mas aquele sentimento lá no fundo só eu mesma posso contornar, conversar com ele e tentar me entender.
é preciso paciência. e muita humildade.
pra pegar todos os pedacinhos que sobraram do último furacão pra me colocar de volta no lugar.
graças a deus, mantenho a serenidade.
punto. e basta!
quinta-feira, 12 de abril de 2012
invictus
desta noite que me cobre
negra como um poço de borda a borda
eu agradeço a quaisquer deuses que hajam
por minha alma inconquistável
na cruel garra da circunstância
eu não recuei nem gritei
sob os golpes da sorte
minha cabeça está ensanguentada mas não curvada
além deste lugar de fúria e lágrimas
surge apenas o horror da sombra
e ainda com a ameaça dos anos
encontra, e há de encontrar-me, sem temor
não importa quão estreito o portão
quão carregado de punições o pergaminho
eu sou o mestre me meu destino
eu sou o capitão de minha alma.
(william ernest henley)
negra como um poço de borda a borda
eu agradeço a quaisquer deuses que hajam
por minha alma inconquistável
na cruel garra da circunstância
eu não recuei nem gritei
sob os golpes da sorte
minha cabeça está ensanguentada mas não curvada
além deste lugar de fúria e lágrimas
surge apenas o horror da sombra
e ainda com a ameaça dos anos
encontra, e há de encontrar-me, sem temor
não importa quão estreito o portão
quão carregado de punições o pergaminho
eu sou o mestre me meu destino
eu sou o capitão de minha alma.
(william ernest henley)
a insustentável leveza de ser
sim, mais um ano passou. mais um ano pra minha já bem repleta coleção de anos.
nunca fui de colecionar nada. só guardo em caixas de sapato os ingressos de filmes que assisti desde "os embalos de sábado a noite". são muitos, muitos mais do que meus anos.
meus anos, guardo todos com carinho em minha memória. anos de briga, anos de questionamentos, anos de medo, anos de brincadeira, anos de muitas risadas, anos na estrada, mas sempre anos de vida.
uma vida repleta de anos, memórias e ingressos de cinema.
sempre cheia de poesia. sempre recheada de sonhos, muitos sorrisos e muita vontade de continuar.
ainda que tenha caído por muitas vezes, nas mesmas vezes, me levantei e segui, mesmo sem sabe onde o caminho ia dar.
sei que, como no poema, escolhi a estrada menos trilhada. alguns podem considerar a mais difícil. eu a considero como sendo simplesmente a escolhida por mim, meu jeito e meus sentimentos.
sentimentos que compartilhei com muitas pessoas nesses anos todos. pessoas que ainda guardo, outras que faço de conta que esqueci, pessoas que nunca vou me esquecer (por mais que tente). pessoas novas que chegam todos os dias e encontram um cantinho. pessoas persistentes que continuam ali, mesmo sabendo das minhas idas e vindas. porque nem sempre estou na minha vida. de vez em quando, simplesmente me ausento.
é assim que comecei a ser e assim que ainda serei pelos anos que virão.
deles, só tenho a certeza de que serão bons, muito bons, ótimos ou excelentes. nada menos que isso, porque são meus. são a minha vida.
e vivo cada ano, cada dia, cada minuto sempre dando o melhor que tenho e que a vida me ensinou. a minha vida, a vida dos meus pais, a vida dos meus amigos, a vida que vejo nos filmes, as vidas que li nos livros.
e a cada vida que compõe a minha vida, eu agradeço. sem elas, eu não seria quem sou. sem elas, a minha vida não seria assim. tào cheia de vida!
obrigada pelo ano que foi e mais obrigada ainda pelo ano que chegou!
nunca fui de colecionar nada. só guardo em caixas de sapato os ingressos de filmes que assisti desde "os embalos de sábado a noite". são muitos, muitos mais do que meus anos.
meus anos, guardo todos com carinho em minha memória. anos de briga, anos de questionamentos, anos de medo, anos de brincadeira, anos de muitas risadas, anos na estrada, mas sempre anos de vida.
uma vida repleta de anos, memórias e ingressos de cinema.
sempre cheia de poesia. sempre recheada de sonhos, muitos sorrisos e muita vontade de continuar.
ainda que tenha caído por muitas vezes, nas mesmas vezes, me levantei e segui, mesmo sem sabe onde o caminho ia dar.
sei que, como no poema, escolhi a estrada menos trilhada. alguns podem considerar a mais difícil. eu a considero como sendo simplesmente a escolhida por mim, meu jeito e meus sentimentos.
sentimentos que compartilhei com muitas pessoas nesses anos todos. pessoas que ainda guardo, outras que faço de conta que esqueci, pessoas que nunca vou me esquecer (por mais que tente). pessoas novas que chegam todos os dias e encontram um cantinho. pessoas persistentes que continuam ali, mesmo sabendo das minhas idas e vindas. porque nem sempre estou na minha vida. de vez em quando, simplesmente me ausento.
é assim que comecei a ser e assim que ainda serei pelos anos que virão.
deles, só tenho a certeza de que serão bons, muito bons, ótimos ou excelentes. nada menos que isso, porque são meus. são a minha vida.
e vivo cada ano, cada dia, cada minuto sempre dando o melhor que tenho e que a vida me ensinou. a minha vida, a vida dos meus pais, a vida dos meus amigos, a vida que vejo nos filmes, as vidas que li nos livros.
e a cada vida que compõe a minha vida, eu agradeço. sem elas, eu não seria quem sou. sem elas, a minha vida não seria assim. tào cheia de vida!
obrigada pelo ano que foi e mais obrigada ainda pelo ano que chegou!
terça-feira, 10 de abril de 2012
momento de introspecção
e quando você pensa que as coisas podem tomar um rumo certo, a vida te dá meia volta e tudo vira ao contrário!
eu juro, sim, eu juro que acreditei que hoje eu ia acordar e as coisas iam estar mais serenas e tranquilas pro meu lado, mesmo tendo perdido o sono ontem.
ledo engano. minhas preoucupações só fazem se confirmar e eu penso quais são as opções pra escolha final!
o que a gente faz quando conclui que o melhor caminho é sentar e conversar mas a outra "parte" te evita? o que a gente faz quando quer muito uma coisa, mas a probabilidade de que ela dê errado é bem maior do que você insiste em pensar que é.
desistir? não faz meu gênero.
argumentar? já tentei.
concordar, mesmo sabendo que isso não vai prestar? também não combina comigo.
penso, então, que terei que simplesmente me decidir pelo caminho menos pior. deixar que o tempo passe e que, talvez, traga de volta a paz. porque é preciso de paz interior pra qualquer decisão, por melhor ou pior que ela possa parecer.
e não me sinto em paz quando sinto que há injustiça, má interpretação, falta de vontade e "forças ocultas" trabalhando contra.
vou sim encher meus pulmões de ar, respirar fundo, tentar me encontrar em mim e seguir adiante, mesmo sabendo que o caminho possa não dar em nada.
não vou voltar. vou caminhar com passos pequenos, um de cada vez. vou me manter calada, quieta e procurar sossego dentro de mim, uma vez que não o encontro onde estou. vou me voltar pra mim mesma, reconhecer meus erros e meus acertos.
quem sabe ouvindo a mim mesma eu acredite no que eu digo...
é isso.
eu juro, sim, eu juro que acreditei que hoje eu ia acordar e as coisas iam estar mais serenas e tranquilas pro meu lado, mesmo tendo perdido o sono ontem.
ledo engano. minhas preoucupações só fazem se confirmar e eu penso quais são as opções pra escolha final!
o que a gente faz quando conclui que o melhor caminho é sentar e conversar mas a outra "parte" te evita? o que a gente faz quando quer muito uma coisa, mas a probabilidade de que ela dê errado é bem maior do que você insiste em pensar que é.
desistir? não faz meu gênero.
argumentar? já tentei.
concordar, mesmo sabendo que isso não vai prestar? também não combina comigo.
penso, então, que terei que simplesmente me decidir pelo caminho menos pior. deixar que o tempo passe e que, talvez, traga de volta a paz. porque é preciso de paz interior pra qualquer decisão, por melhor ou pior que ela possa parecer.
e não me sinto em paz quando sinto que há injustiça, má interpretação, falta de vontade e "forças ocultas" trabalhando contra.
vou sim encher meus pulmões de ar, respirar fundo, tentar me encontrar em mim e seguir adiante, mesmo sabendo que o caminho possa não dar em nada.
não vou voltar. vou caminhar com passos pequenos, um de cada vez. vou me manter calada, quieta e procurar sossego dentro de mim, uma vez que não o encontro onde estou. vou me voltar pra mim mesma, reconhecer meus erros e meus acertos.
quem sabe ouvindo a mim mesma eu acredite no que eu digo...
é isso.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
oh céus!!!
e aí, quando você acha que tá bem protegida pelo anonimato, te vem uma surpresa no final do dia!
santa paciência, diria robin, mas eu deixei rastros. e me encontraram aqui, no meu cantinho secreto partilhado com poucos, porém ótimos companheiros.
putz, e agora:! como eu faço pra me esconder, pra continuar com a tal fama de mulher misteriosa?!
melhor relaxar e reconhecer que, dessa vez, foi pro ralo.
ou será que devo processar o google ou o possível "invasor" por invasão de privacidade se a bobeada foi minha?
melhor dormir com essa barulho e, mesmo não gostando, saber que deixei de surpreender ao menos nessa vez.
afinal, parece que a invasão teve danos menores e minha reputação continua a salvo.
e, ainda, teve uma boa justificativa. saber mais de mim... muito bom, considerando a circunstãncia." a gente procura saber sobre aquilo que nos interessa." rsrsrsrs
bem, agora estou a mostra e não vou poder me esconder aqui.
mas, também, vamos combinar: aqui nunca foi lugar pra que eu me escondesse! muito pelo contrário. aqui é onde sou o que eu realmente sou, bem dentro de mim.
é isso.
p.s. e você teria que arrumar um ótimo advogado, xereta!!!e nada de defesa em causa própria ou coisa que o valha!
santa paciência, diria robin, mas eu deixei rastros. e me encontraram aqui, no meu cantinho secreto partilhado com poucos, porém ótimos companheiros.
putz, e agora:! como eu faço pra me esconder, pra continuar com a tal fama de mulher misteriosa?!
melhor relaxar e reconhecer que, dessa vez, foi pro ralo.
ou será que devo processar o google ou o possível "invasor" por invasão de privacidade se a bobeada foi minha?
melhor dormir com essa barulho e, mesmo não gostando, saber que deixei de surpreender ao menos nessa vez.
afinal, parece que a invasão teve danos menores e minha reputação continua a salvo.
e, ainda, teve uma boa justificativa. saber mais de mim... muito bom, considerando a circunstãncia." a gente procura saber sobre aquilo que nos interessa." rsrsrsrs
bem, agora estou a mostra e não vou poder me esconder aqui.
mas, também, vamos combinar: aqui nunca foi lugar pra que eu me escondesse! muito pelo contrário. aqui é onde sou o que eu realmente sou, bem dentro de mim.
é isso.
p.s. e você teria que arrumar um ótimo advogado, xereta!!!e nada de defesa em causa própria ou coisa que o valha!
sexta-feira, 23 de março de 2012
sem tempo nem pra pensar
"A mulher interessante não é propriamente bonita, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos e uma malícia que inquieta a todos quando sorri... As pessoas se questionam. O que é que essa mulher tem?! Ela tem algo. Pronome indefinido: algo. Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas."
Martha Medeiros
terça-feira, 20 de março de 2012
e ela vem e vai...
hoje eu tô daquele jeito!
querendo tudo diferente do que é.
querendo que a lua nascesse na hora do sol. querendo que as pessoas se entendessem apenas com o olhar. querendo que o cachorrinho da casa ao lado parasse de chorar logo!
dor de cabeça. cansaço e querer o que não pode ser. o que fazer?
dormir?
sonhar?
comprar uma bicicleta ou tomar uma coca cola?
ah, sei lá. só sei que um dia eu chego lá. onde? não faço idéia, mas sei que chego. e que vai ser bom. que vou ficar tranquila e dormir serena como a lua que se esconde quando o sol aparece.
é, a lua e suas fases. é, a mulher e suas fases.
e sim. eu sou uma mulher que prefere a lua.
alguém que prefere a noite.
portanto, boa noite, amor...
querendo tudo diferente do que é.
querendo que a lua nascesse na hora do sol. querendo que as pessoas se entendessem apenas com o olhar. querendo que o cachorrinho da casa ao lado parasse de chorar logo!
dor de cabeça. cansaço e querer o que não pode ser. o que fazer?
dormir?
sonhar?
comprar uma bicicleta ou tomar uma coca cola?
ah, sei lá. só sei que um dia eu chego lá. onde? não faço idéia, mas sei que chego. e que vai ser bom. que vou ficar tranquila e dormir serena como a lua que se esconde quando o sol aparece.
é, a lua e suas fases. é, a mulher e suas fases.
e sim. eu sou uma mulher que prefere a lua.
alguém que prefere a noite.
portanto, boa noite, amor...
segunda-feira, 19 de março de 2012
dreams of a broken life
"olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa.
talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou precipitada demais, que coloco em palavras todo o meu processo mental. processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado, e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir.
eu não queria que fosse assim. eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"
caio fernando de abreu me acompanhou a juventude toda. (poxa, eu nunca falei nem pensei em juventude!!!). ele era um daqueles autores que eu adorava e seus morangos mofados eram constantemente lembrados.
mas morreu cedo, como os bons. como leminski.
mas eu continuo aqui firme e forte, mas nem tanto.
são tantos que dizem que me escondo. mas é mesmo por timidez, vergonha até. mas isso nunca me fez deixar de ser quem eu sou. inteira, completa e com meus defeitos!
e o que tá escrito lá em cima era é o que eu penso agora, nesse exato momento.
às vezes, a gente se segura a toa. não faz o que quer, deixando de lado um pedaco enorme da gente mesmo.
juro que não farei mais isso. não me escondo mais porque quando me escondo a única coisa que ganho é uma bela e grande perda de tempo.
ou será que me escondo e me revelo aos poucos, mas sem demorar tanto?!
vou tentando e, no caminho, eu descubro.
basta. e punto!
talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou precipitada demais, que coloco em palavras todo o meu processo mental. processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado, e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir.
eu não queria que fosse assim. eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"
caio fernando de abreu me acompanhou a juventude toda. (poxa, eu nunca falei nem pensei em juventude!!!). ele era um daqueles autores que eu adorava e seus morangos mofados eram constantemente lembrados.
mas morreu cedo, como os bons. como leminski.
mas eu continuo aqui firme e forte, mas nem tanto.
são tantos que dizem que me escondo. mas é mesmo por timidez, vergonha até. mas isso nunca me fez deixar de ser quem eu sou. inteira, completa e com meus defeitos!
e o que tá escrito lá em cima era é o que eu penso agora, nesse exato momento.
às vezes, a gente se segura a toa. não faz o que quer, deixando de lado um pedaco enorme da gente mesmo.
juro que não farei mais isso. não me escondo mais porque quando me escondo a única coisa que ganho é uma bela e grande perda de tempo.
ou será que me escondo e me revelo aos poucos, mas sem demorar tanto?!
vou tentando e, no caminho, eu descubro.
basta. e punto!
terça-feira, 13 de março de 2012
mania sim.
no ano passado, no dia do meu aniversário, tava em uma cidadezinha perdida no interior do estado.
passei o dia todo trabalhando e voltei sozinha, por uma estrada pessimamente frequentada por muitos caminhões e terrivelmente sem asfalto nem acostamento.
pra melhorar o quadro, só mesmo a chuva. e ela caia impiedosa. realmente, era chover no molhado!
eu, sozinha, naquele dia no começo da noite, voltando pra casa e ouvindo corrs, beach boys e depois rita lee.
eu nunca gostei muito de rita lee. acho que ela é sim um super personagem, mas... das músicas, nem gosto tanto. o bom é que ouvia o cd dela cantando versões para beatles.
e voltava assim, relacionando lugares, músicas e sentimentos.
agora, ao pensar em você, me veio a música mais manjada, cantada, talvez safada, de rita lee: mania de você.
"a gente faz o amor
por telepatia
no chão, no mar, na lua
na melodia..."
putz, é isso. foi isso que senti ao te ver mesmo de longe naquele dia e sinto agora, enquanto escrevo pra você, sem mesmo que você saiba.
e me vem aquele sorriso idiota no rosto quando fecho os olhos e tento te imaginar, te sentir, te cheirar.
só penso e sinto que deixe logo de ser por telepatia e me sinta em seus braços.
é só o que penso agora. e vou pensar pelo resto dessa noite que insinua chuva lá longe.
passei o dia todo trabalhando e voltei sozinha, por uma estrada pessimamente frequentada por muitos caminhões e terrivelmente sem asfalto nem acostamento.
pra melhorar o quadro, só mesmo a chuva. e ela caia impiedosa. realmente, era chover no molhado!
eu, sozinha, naquele dia no começo da noite, voltando pra casa e ouvindo corrs, beach boys e depois rita lee.
eu nunca gostei muito de rita lee. acho que ela é sim um super personagem, mas... das músicas, nem gosto tanto. o bom é que ouvia o cd dela cantando versões para beatles.
e voltava assim, relacionando lugares, músicas e sentimentos.
agora, ao pensar em você, me veio a música mais manjada, cantada, talvez safada, de rita lee: mania de você.
"a gente faz o amor
por telepatia
no chão, no mar, na lua
na melodia..."
putz, é isso. foi isso que senti ao te ver mesmo de longe naquele dia e sinto agora, enquanto escrevo pra você, sem mesmo que você saiba.
e me vem aquele sorriso idiota no rosto quando fecho os olhos e tento te imaginar, te sentir, te cheirar.
só penso e sinto que deixe logo de ser por telepatia e me sinta em seus braços.
é só o que penso agora. e vou pensar pelo resto dessa noite que insinua chuva lá longe.
sexta-feira, 9 de março de 2012
eu tentei...
engraçado.
de certa maneira, recebi a conversa do começo da noite dessa sexta quente e querendo ser chuvosa como um desafio.
será que eu consigo escrever com historinha?! eu, famosa por sempre gerenciar minha equipe de criação contando historinhas sobre os clientes que visito?!?!
bem,vamos lá que esse promete ser um texto mais longo.março de 1987, na mais renomada escola de sua área no país, a única vestibulanda que escreveu o nome daquele professor como resposta a uma pergunta no vestibular há 2 anos e meio, fala delirantemente em alto e bom som, bem no meio da aula: ai, que tédio!
a sala para. o professor suspira, se vira e diz: garota, você não tem jeito mesmo. você terá presença em todas as minhas aulas e 10 em todos os meses SE prometer nunca mais aparecer nas minhas aulas, combinado?!
a garota, que mais parecia um garoto, diz sem nem pensar: combinado, professor. posso ir agora então?!
ele se vira novamente e diz: tchau.
a garota continua o curso, alternando as aulas que quer ou não assistir, continua dando trabalho pra outros professores e a vida continua como devia.
agosto de 1988. teatro cultura artística. cerimônia de formatura dos alunos da turma de 84. e quem está no palco, como paraninfo da turma?! o tal professor. e sentadinha, ainda vestida como moleque, mas de smoking (o traje era "a rigor") numa das poltronas entre os formandos?! a garota entendiada, ainda.
os nomes vão sendo chamados e os alunos, agora um pouco menos descuidados mas muito mais prepotentes, recebem os parabéns e blábláblá, até que o nome da garota é chamado e ela sobe no palco, envergonhada - apesar de tudo, sempre foi tímida. e a vergonha aumenta quando o professor pede o microfone e licença ao presidente da mesa para uma pausa e começa seu discurso, com a garota roxa de vergonha, ainda nas escadas.
e ele diz: "muito bem, senhorita. essa é a última vez que nos vemos como professor e aluna. quase todos aqui presentes sabem o trabalho que você deu a todos os professores durante todo o curso, mas... ainda assim, sua turma ganhou todos os prêmios das associações de nossa categoria e todos sabemos que isso não teria acontecido caso você não os perturbasse tanto quanto a nós. sendo assim, e lembrando o fato de ter sido a única vestibulanda a ter acertado o nome do criador da poesia práxis - ainda que seja admiradora da poesia concreta, esse seu velho professor, gostaria de te oferecer uma lembrança - a coleção completa dos meus livros. mesmo sabendo que nenhum deles será lido, peço a você que leia em alto e bom som (aquele mesmo com o qual dizia que minhas aulas eram um tédio), minha humilde dedicatória. a garota suspira, recupera a cor, caminha, recebe o aperto de mão e um forte abraço do professor e, totalmente sem jeito, pega o livro e lê a tal dedicatória: a k... - a fundamental - em reconhecimento deste velho poeta a uma jovem garota que sempre diz o que sente e que conhece poesia como poucos nesse país, o meu agradecimento e sincera admiração.
naquele momento, a garota deixa que a lágrima escorra, os amigos das aulas gritam, assobiam e deliram, e o professor sorri, tranquilo.
julho de 2011 - morre em são paulo mário chamie, ariano de primeiro de abril, criador da poesia práxis, secretário da cultura do estado de são paulo e professor. a garota, agora mulher, volta a deixar as lágrimas escorrerem de um rosto tranquilo.
p.s. desculpe, mas o estilo da estrutura narrativa foi vergonhosamente "roubado" de um outro professor, dessa vez de biologia!
de certa maneira, recebi a conversa do começo da noite dessa sexta quente e querendo ser chuvosa como um desafio.
será que eu consigo escrever com historinha?! eu, famosa por sempre gerenciar minha equipe de criação contando historinhas sobre os clientes que visito?!?!
bem,vamos lá que esse promete ser um texto mais longo.março de 1987, na mais renomada escola de sua área no país, a única vestibulanda que escreveu o nome daquele professor como resposta a uma pergunta no vestibular há 2 anos e meio, fala delirantemente em alto e bom som, bem no meio da aula: ai, que tédio!
a sala para. o professor suspira, se vira e diz: garota, você não tem jeito mesmo. você terá presença em todas as minhas aulas e 10 em todos os meses SE prometer nunca mais aparecer nas minhas aulas, combinado?!
a garota, que mais parecia um garoto, diz sem nem pensar: combinado, professor. posso ir agora então?!
ele se vira novamente e diz: tchau.
a garota continua o curso, alternando as aulas que quer ou não assistir, continua dando trabalho pra outros professores e a vida continua como devia.
agosto de 1988. teatro cultura artística. cerimônia de formatura dos alunos da turma de 84. e quem está no palco, como paraninfo da turma?! o tal professor. e sentadinha, ainda vestida como moleque, mas de smoking (o traje era "a rigor") numa das poltronas entre os formandos?! a garota entendiada, ainda.
os nomes vão sendo chamados e os alunos, agora um pouco menos descuidados mas muito mais prepotentes, recebem os parabéns e blábláblá, até que o nome da garota é chamado e ela sobe no palco, envergonhada - apesar de tudo, sempre foi tímida. e a vergonha aumenta quando o professor pede o microfone e licença ao presidente da mesa para uma pausa e começa seu discurso, com a garota roxa de vergonha, ainda nas escadas.
e ele diz: "muito bem, senhorita. essa é a última vez que nos vemos como professor e aluna. quase todos aqui presentes sabem o trabalho que você deu a todos os professores durante todo o curso, mas... ainda assim, sua turma ganhou todos os prêmios das associações de nossa categoria e todos sabemos que isso não teria acontecido caso você não os perturbasse tanto quanto a nós. sendo assim, e lembrando o fato de ter sido a única vestibulanda a ter acertado o nome do criador da poesia práxis - ainda que seja admiradora da poesia concreta, esse seu velho professor, gostaria de te oferecer uma lembrança - a coleção completa dos meus livros. mesmo sabendo que nenhum deles será lido, peço a você que leia em alto e bom som (aquele mesmo com o qual dizia que minhas aulas eram um tédio), minha humilde dedicatória. a garota suspira, recupera a cor, caminha, recebe o aperto de mão e um forte abraço do professor e, totalmente sem jeito, pega o livro e lê a tal dedicatória: a k... - a fundamental - em reconhecimento deste velho poeta a uma jovem garota que sempre diz o que sente e que conhece poesia como poucos nesse país, o meu agradecimento e sincera admiração.
naquele momento, a garota deixa que a lágrima escorra, os amigos das aulas gritam, assobiam e deliram, e o professor sorri, tranquilo.
julho de 2011 - morre em são paulo mário chamie, ariano de primeiro de abril, criador da poesia práxis, secretário da cultura do estado de são paulo e professor. a garota, agora mulher, volta a deixar as lágrimas escorrerem de um rosto tranquilo.
p.s. desculpe, mas o estilo da estrutura narrativa foi vergonhosamente "roubado" de um outro professor, dessa vez de biologia!
domingo, 4 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
tonta...
.eu realmente não queria estar onde estou.
sinto que meus sentimentos não são meus, que meu corpo não está comigo, que nada disso tem lugar em mim.
estou triste, cansada e me sentindo pela metade.
não sei o que posso fazer já que ficam mandando o tempo todo em mim: faça isso, não faça isso, nada de celulares, nada de notebook. durma. fique quieta. não se mexa agora. me diga se sentir alguma coisa estranha.
mas se eu estou sentindo uma coisa estranha o tempo todo, como determinar o que é mais estranho ainda?!
eu não tenho controle de nada. não sei o que sentir.
só me sinto terrivelmente sozinha, como se ninguém olhasse por mim.
e estou.
quem se diz preocupado, precisa relaxar um pouco da tensão de tudo.
e eu, boba, ainda me preocupo e tento ser racional.
foi tentando ser racional que eu cheguei aqui, um lugar ao qual não pertenço, onde me sinto isolada e sozinha.
queria pensar menos nos outros e dizer: foda-se o resto, eu preciso de você sim do meu lado! se toca que, se me deixar sozinha, vai me perder agora! mas eu não faço isso. eu sempre coloco no lugar do outro e suporto tudo, mesmo que meu coração grite o contrário.
eu sei que nunca ninguém vai estar do meu lado.
eu sei que sempre vou ficar sozinha.
eu sei que sempre vou sentir esse vazio e esse aperto no peito quando o pior puder me acontecer.
eu sou mesmo é uma besta!
é isso.
sinto que meus sentimentos não são meus, que meu corpo não está comigo, que nada disso tem lugar em mim.
estou triste, cansada e me sentindo pela metade.
não sei o que posso fazer já que ficam mandando o tempo todo em mim: faça isso, não faça isso, nada de celulares, nada de notebook. durma. fique quieta. não se mexa agora. me diga se sentir alguma coisa estranha.
mas se eu estou sentindo uma coisa estranha o tempo todo, como determinar o que é mais estranho ainda?!
eu não tenho controle de nada. não sei o que sentir.
só me sinto terrivelmente sozinha, como se ninguém olhasse por mim.
e estou.
quem se diz preocupado, precisa relaxar um pouco da tensão de tudo.
e eu, boba, ainda me preocupo e tento ser racional.
foi tentando ser racional que eu cheguei aqui, um lugar ao qual não pertenço, onde me sinto isolada e sozinha.
queria pensar menos nos outros e dizer: foda-se o resto, eu preciso de você sim do meu lado! se toca que, se me deixar sozinha, vai me perder agora! mas eu não faço isso. eu sempre coloco no lugar do outro e suporto tudo, mesmo que meu coração grite o contrário.
eu sei que nunca ninguém vai estar do meu lado.
eu sei que sempre vou ficar sozinha.
eu sei que sempre vou sentir esse vazio e esse aperto no peito quando o pior puder me acontecer.
eu sou mesmo é uma besta!
é isso.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
desejo, necessidade...
vontade.
vontade de sair sem filtro solar e ficar horas no sol.
vontade de me afundar numa taça gigante de sorvete.
vontade de não sair da cama sem ficar dormindo.
voltar daquele banho de banheira com sais, cheiros e gostos.
vontade das borbrulhas de um bom champanhe.
vontade de comer muito.
vontade de sair correndo sem destino nem parada.
vontade de sair nua pela rua.
vontade de ouvir a melhor música em nova orleans.
vontade de perder o juízo, a vergonha e o pudor.
vontade de fazer fazer amor horas seguidas e sentir o maior prazer do mundo.
vontade de você.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
repeating myself
ouvindo a moçadinha do BBB10 (já ta quase acabando o 2012) no faustão - minha mãe assiste, não tem jeito - eu fico pensando, eu preciso confessar: logo que a tal anelita saiu, eu entrei no blog dela pra ver como a moça que brigava tanto escrevia e etc.
e não é que vi e acabei surpresa, vendo várias coisas em comum?
além de ser briguenta, tem muita coisa escrita lá que eu também penso igual. e tem vários textos da martha medeiros que sabe escrever sobre mulher como mulher, como poucos e poucas. melhor assim que escrevendo hai-kais, martha medeiros foi feita pra textos longos. e que são muito bons.
e, em outras vezes, entrei lá pra dar umas olhadas e pegar umas imagens. ela adora tulipas, como eu. adora séries de tv, como eu. e tem ótimas fotos. e nem é a louca que parecia, com certeza, descompensada. e outra: vamos combinar, ela tinha razão absoluta sobre uma coisa - a lia é chata pra caramba!
agora, uma coisa muito interessante que li lá e não me lembro de onde veio: o lance dos corpos gêmeos. "em tese, uma teoria" que diz que como se procura almas gêmeas, deveríamos considerar que podem haver corpos gêmeos. tipo assim: você sente uma atração geral e inexplicável por outro alguém, mas é isso. pra que se sentir culpado? essa é a pessoa que você quer pro resto da vda na sua cama, banheiro, mesa, cozinha, etc, mas não no resto, tipo dia-a-dia e etc. qual o problema? manuel bandeira diz muito bem o que muitos tentam e não conseguem:
arte de amar
se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
a alma é que estraga o amor.
só em deus ela pode encontrar satisfação.
não noutra alma.
só em deus — ou fora do mundo.
as almas são incomunicáveis.
deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
porque os corpos se entendem, mas as almas não.
é isso.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
tchau!
depois de muito tempo, eu não encontrei nada fácil pelo caminho.
levei porradas, me machuquei em muitos espinhos e com muitas pessoas.
minha busca pessoal acabou.
me decepcionei demais e quero apenas paz. chega!
levei porradas, me machuquei em muitos espinhos e com muitas pessoas.
minha busca pessoal acabou.
me decepcionei demais e quero apenas paz. chega!
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
é...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
é...

é, a gente pode tentar fazer de tudo para mudar, mas uma coisa é certa: a vida se complica de vez em quando.
não que a gente queira ou procure por isso, simplesmente acontece. de repente, você se vê fora daquele céu de brigadeiro e oha pros lados e enxerga a mais profunda escuridão. não sabe se é realmente o fim do mundo ou apenas o final da sua alma pedindo arrego, sossego, proteção.
quantas vezes eu escrevi aqui mesmo sobre as dores que sentia, sobre meus medos, minhas tristezas, meus desencantos?
inúmeras.
anos se passam, muita coisa muda, mas outras não.
volta e meia, os mesmos fantasmas voltam pra me assombrar, me deixando pequenininha diante de tudo a minha volta.
e não adianta também tentar olhar pro passado e ver o que aprendi. o que eu já sei nem sempre se aplica porque o fantasma pode mesmo continuar o mesmo, mas a situação é outra, totalmente diversa.
e eu me assusto sempre da mesma maneira. e me encolho como a mesma menininha de sempre, com medo.
a vida prepara a gente pra uma monte de coisas, mas nem tudo nem ela sabe. o totalmente inesperado acontece. daquelas que ninguém podia esperar.
é quando eu me fecho novamente. me recolho.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
só

é, eu me cansei.
me cansei das pisadas na bola, cansei das desculpas, cansei dos esquecimentos, cansei de ficar pra trás. cansei de acreditar em alguma coisa que sequer existe.
no começo, tudo é sempre bonito e suave.
depois, a gente começa a andar por um caminho escorregadio demais, aprende coisas que ainda desconhecia.
chega pra mim.
ainda sinto as últimas dores dos últimos tombos.
nem ao menos me levantei de novo.
só quero paz, sossego e um coração tranquilo.
mais nada.
me deixe andar sozinha, mas em paz.
meu erro

tem gente que não aprende mesmo.
ainda que todos os sinais de roubada total estejam a sua frente, a pessoa se recusa a vê-los e faz mais uma grande besteira.
eu sou assim, infelizmente. eu ainda tenho aquela mania boba de acreditar em todo mundo, em sua lealdade, respeito, atenção.
mesmo tendo passado por isso inúmeras vezes. eu ainda erro.
e sei que ainda vou continuar errando pro resto da vida. o que muda? a maneira como lido com o erro.
antes eu me jogava na cama e chorava por dias seguidos. não comia. me punia por ter sido boba mais uma vez.
saia por aí dando patadas em deus e o mundo, tentsndo castigar quem nem tinha nada a ver pela minha tristeza. chutando postes.
a tristeza continua existindo, claro.
a intensidade varia. mas, agora, parece que eu lido om ela de maneira mais sensata. continuo não conseguindo ficar quieta. não considero humilhante de forma alguma que a pessoa ou as pessoas que me deixaram mais um vez decepcionada saibam do meu sofrimento.
as lágrimas ficaram um pouco mais difíceis. não confundo mais meus sentimentos e nem saio por aqui punindo ninguém com meu mau humor.
só me calo depois da ferida aberta. não escondo nada, nem mesmo minha tristeza, mas só quem a sente sou eu. não envolvo mais ninguém em um erro que, obviamente, é meu.
só não consegui ainda deixar a tristeza e o sofrimento de lado. dá pra ver nos meus olhos ou no meu sorriso. no tom da minha voz. nos meus gestos.
mas, caindo no lugar comum mais bobo, eu sou uma sobrevivente, já passei por tantas que ficou difícil me derrubar. eu continuo caminhando.
e procuro não olhar pra trás a não ser que seja pra ver o por do sol.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
por que?!

por que é sempre tão difícil se entender com as pessoas, mesmo que você goste delas mais do que esperava?
e gente complica tudo. sentimentos se confundem e a gente acaba fazendo coisas que não devia, coisas que são completamente dispensáveis. a gente se magoa e magoa com outras sem total necessidade.
é tão difícil assim fazer simplesmente o que nos diz o coração? a gente tem que pensar tanto antes de fazer alguma coisa e acabar fazendo a coisa errada?!
por isso que eu procuro fazer o que sinto vontade na hora em que tenho que fazer.
eu não sei ser calculista, planejar mil coisas e seguir tudo a risca.
eu sou como bicho solto no mato. eu simplesmente faço
isso me machuca demais, mas ao mesmo tempo me faz feliz.
eu não vou deixar de ser como eu sou. eu sou feliz comigo assim.
só não quero que me machuquem, o que é bastante fácil. eu sou boba mesmo, choro fácil, meu peito se aperta mais vezes do que devia.
bou boba, mas sou feliz, sou fiel aos meus sentimentos, aos meus valores e aos meus princípios.
e, sei que tem um monte de gente que critica.
mas que não me faz desistir tão cedo de ser feliz a minha maneira.
é isso.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
cecília meirelles
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
delícia!

o "delícia" logo me faz lembrar do super fernando que faz os jingles mais legais dessa cidade, mas esse delícia é por outro motivo...
delííííííííííííícia estar com "as meninas".
as meninas, no caso, são aquelas amigas que você aprende que são as melhores mulheres com quem você compartilhar a sua vida.
quando eu era pequena, acreditava no conceito de uma melhor amiga. depois, como mulher, descobri que se você permitir que seu coração se abra, você encontrará o melhor em muitas amigas.
é preciso uma amiga quando você está com problemas com seu namorado.
é preciso outra amiga quando você está com problemas com sua mãe.
uma outra quando você quer fazer compras, curar, ferir, brincar ou apenas ser.
uma amiga dirá "vamos lutar", outra dirá "o jeito é sentar e chorar" e a outra, que pode sim ser um lindo amigo gay, dirá "se joga, amiga"!
uma amiga atenderá às suas necessidades espirituais, uma outra à sua loucura por óculos escuros, uma outra à sua paixão por filmes, outra estará com você em seus períodos confusos, outra será a luz e uma outra será o vento sob suas asas.
mas onde quer que ela se encaixe em sua vida, independente da ocasião, do dia ou de quando você precisa, seja com seus tênis e cabelos presos, ou para impedir que você faça uma loucura… todas essas são suas melhores amigas.
elas podem ser concentradas em uma única mulher ou em várias… em alguns dias sua mãe, em alguns dias sua vizinha, em outros a moça da faxina.
obrigada "meninas" (rô, dani, lê e déia) por serem mulheres maravilhosas e fazerem tanta diferença em minha vida!!!
pronto, falei.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
por que?!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
life sucks!
de vez em quando, eu simplesmente me pego pensando porque é tão difícil entender as pessoas. em quanto tempo é perdido com coisas que a gente pensa mas que não correspondem à realidade.
é realmente difícil. as pessoas se enganam e, ainda pior, enganam. eu acho que ainda sou daquelas bobas que realmente querem acreditar em tudo, sempre achando que a boa intenção explica tudo ou faz com que tudo fique claro o suficiente pra que, qualquer pessoa que olhe, logo entenda o significado de tudo.
infelizmente, quando vejo que não é bem assim, eu fico triste, decepcionada, chateada.
eu realmente já vivi muita coisa que preferia esquecer. mas nem sempre dá. principalmente, quando menos espero e lá vem outra porrada. eu ainda penso porque não me cansei, porque não deixei de ser essa garota boba que acredita que tudo pode melhorar ou ser legal, que as coisas ainda vão passar.
as pessoas nos surpreendem. pior que nem sempre de maneira positiva. e isso é tão tão chato. aí, vem a decepção e aquela dorzinha bem lá no fundo.
há muito tempo eu luto (mesmo) todos os dias pra não voltar a cair da mesma maneira, mas tem dias em que isso fica mais difícil. tem dias em as paredes parecem se estreitar e parece que eu realmente não vou conseguir me esgueirar até o final.
mesmo que esse tenha sido um dia lindo de sol. mesmo que a música que toque no fundo seja a melhor.
tem dia em a vida é foda.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
dia de canseira

então tá então.
vamos combinar que hoje eu não tô a fim.
a fim de que?!?! de nada, prezado leitor, de nada. (eu sempre quis fazer isso, escrever "prezado leitor!!!).
hoje é um daqueles dias em que tudo incomoda. o telefone, o sol, o calor, o barulho do ar condicionado, o som do teclado, a respiração da pessoa ao lado.
eu sei, devo estar com algum problema. afinal, é sexta-feira, dia nacional do "hoje é sexta-feira, traga mais cerveja"... mas eu não bebo, caramba!!!
é, devo ser um bicho em extinção mesmo. não bebo, não fumo, não tenho vícios nem fetiches.
então, já que não tô com vontade de nada, também não tô com a menor vontade de ficar escrevendo.
pronto, falei.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
eu quero a paz mundial!

você simplesmente diz pra que eu não me preocupe com você como se isso ainda fosse possível. não quer que eu dê uma de candidata a miss e diga que "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", né?!?! desculpe, mas nem faz meu gënero.
mas, fazer o que?! mesmo que a gente não queira, chega numa hora em que a gente simplesmente não tem mais a opção "don't worry" no cardápio. quando você percebe, lá se foram horas de sono e você pensando na mesma coisa.
é, eu sou normal (nisso eu tenho certeza que sim!). eu me preocupo sim. afinal, nem tudo o que tem orbitado ao seu redor tem sido um lindo mar de rosas. toda rosa tem seus espinhos e eu não tô por perto pra te ajudar a tirar os espinhos um por um, mesmo que você tivesse nadando de braçadas no mesmo belo mar de rosas...
aí, o que me resta? me preocupar sim e ficar torcendo pra que tudo dê certo e pra que o menor número possível de coisas dê errado, já que a gente já sabe que tem muita probabilidade de muita coisa dar errado.
então, já vou logo avisando: é assim que eu sei gostar de alguém. não me ensinaram outro jeito. ou eu nem quis aprender.
e também não pense que isso vai ser sempre assim. de vez em quando, eu posso me esquecer de me preocupar. pode ser sinal de que tudo está se encaixando, de que as peças estão todas voltando pros seus lugares. ou simplesmente, que você esteja navegando por um lindo mar de copos de leite, lírios, orquídeas, flores lindas e sem espinhos.
mas, tem perfumes que a gente só encontra nas rosas.
talvez seja o motivo pra se gostar tanto delas...
é isso.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
naqueles dias...

e, de repente, você se encontra num daqueles dias. daqueles em que você simplesmente se pergunta porque abriu os olhos, colocou seus pezinhos pra fora e insistiu em sair daquela cama que te abraçava de maneira tão confortável.
e aí, você mesma olha pra dentro de você e tá lá estampada em letras garrafais a resposta: você cresceu. deixou de ser um menino assustado ou uma menina tímida e se tornou essa coisa chata que costumam chamar de adulto.
é, porque não adianta você esquentar o termômetro no abajur, mostrar pra sua mãe e fazer cara de choro pra não ir trabalhar. você simplesmente tem que encarar essa coisa maçante que faz parte do que é ter uma vida própria, andar com as próprias pernas e se quebrar inteira.
não adianta - é quase inevitável. faz parte do que é crescer, do que é viver, do que é sentir.
não adianta a gente ainda querer se esconder embaixo da cama. chega numa hora em que ou a cama é baixa demais ou você que realmente cresceu ou engordou um pouquinho a mais. você não cabe mais embaixo dela, nem dentro do armário nem naquele jeans que te deixava com cara de má e rebelde.
é, agora você usa salto alto, máscara pros cílios e até curvex. você não usa mais uma mochila cheia de bottons da sua viagem do intercâmbio. você usa óculos. você paga imposto de renda e ainda tem plano de saúde e, se bobear, plano de previdência privada.
não adianta. ser adulto pode ser chato. mas também pode ser mágico, pode ser libertador, pode ser assustador e pode ser fascinante.
mas, até hoje, não conheço ninguém que tenha realmente passado pela vida sem passar também pela maturidade.
depois de um tempinho, a gente percebe que tem coisas que só ela traz, só ela te dá e só ela pode te fazer lembrar ou esquecer.
é justamente por isso que a gente insiste em levantar da cama todos os dias. porque viver entocado não é exatamente viver.
punto e basta!
sábado, 28 de janeiro de 2012
momento mãe e filha

tá, então tá. eu sou assim e pronto acabou. não tem jeito, não vou mudar. não adianta. já tentei e me estrepei. então, pronto: eu sou assim, complicada e nem tão tão perfeitinha.
e porque eu tô escrevendo isso?! porque horas eu tô teen demais, horas eu tô séria demais, horas eu tô mal humorada demais, horas eu falo demais, horas eu rio demais. horas eu tô chata demais.
ao menos é demais e não de menos. eu não suportaria ser nada de menos. por isso eu sou assim como eu sou: demais. intensa, passional, intempestiva e impulsiva. e, me desculpem, mas eu repito: eu não vou mudar. não vou porque não quero.
gente, o mundo tem mais de 7 bilhões de pessoas, porque eu? procura outra pra encher o saco e criticar. deixa pra lá, não vai rolar. desiste.
se eu gasto demais, eu pago. se eu falo demais, eu assumo. se eu dou risada demais, desculpe, mas devo ter meus motivos.
então, volta pro mar, oferenda. canta pra subir e me deixa.
eu sou assim. não gostou, já falou, já ouvi e beleza.
não tenho culpa se você tem que passar o resto da vida comigo porque é minha mãe. eu não pedi pra ser assim, nem você. então, vamos combinar uma coisa: você não vive sem mim, não aguenta. e eu amo você. basta a gente se respeitar e você não me acordar na hora errada falando alto que eu me comporto, tá?!?!
outra coisa: se conforme. eu vou continuar usando as roupas que eu gosto e não as que você gosta. e esquece do batom. nem morta eu vou "passar um batonzinho". tentei gloss, mas meleca. de vez em quando, eu até abro uma exceção.
eu não vou reclamar da tv alta demais, nem do rádio.
não vou estourar seu cartão de crédito.
não vou passar dos 70 naquela avenida e levar outra multa.
não vou ficar comendo porcaria as 4 da manhã, com raras exceções pra quando você estiver dormindo.
nem vou mentir pra você, portanto vou parar de prometer coisas pra você por aqui pra não ter que mentir. porque é óbvio que todo o resto vai continuar do mesmo jeitinho.
combinado?!
é isso.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
ow ow ow

últimos dias de um janeiro que passou sem ter passado.
por isso que eu nunca viajo na janelinha. eu não gosto de ver o mundo passando pela janelinha. esse coisinhas me irritam.
assim como tantas outras.
é. eu ando irritada demais ultimamente, meu ano não começou às mil maravilhas, nada aconteceu que fizesse "a" diferença e eu já tô quase começando a esperar o ano que vem.
mas, como boa ariana, ainda me resta o ano zodiacal que começa com áries. e com a guerra, a vontade, a briga, a gana por dias melhores.
é, que sabe.
e, também, quem não sabe?
só sei que ainda estou acordada quando tenho que encarar um dia de trabalho que não tem nada pra ser o melhor deles depois de 20 dias confinada em meu quarto, meu humor tá quase lá na lua e eu precisava só de mil reais a mais na minha conta pra chutar o pau da barraca. nada mais que isso. uma tarde de compras descabidas no shopping também ajudaria, but...
já dava pra começar.
porque essa sim é uma palavra que vale milhões: começo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
back to the world

(será que vale a pena?!?!)
meus dias de dengue acabaram.
e com eles foram outras ooisas. muito tempo pra nada dá nisso. você sempre acaba fazendo besteiras, pensando besteiras, sendo precipitada, etc, etc, etc...
nem sei se meu emprego sobrou porque foram praticamente quase 20 dias enfurnada dentro de casa sem sair pra nada. sei lá se meu querido, prestimoso e amado chefe vai querer a minha volta. ele já acha que eu o deixo na mão mesmo que eu faça 400 roteiros em 400 minutos. nada nunca é bom o suficiente.
nem queria - claro - ver a luz do sol.
meus pensamentos, sempre confusos e embaçados, ficaram ainda mais confusos.
internet é uma merda. você não saí de casa por nada e ainda assim o mundo vem até você, mesmo você não querendo.
deailusões, coisas chatas, gente chata.
sinceramente, é nessas horas em que você para pra pensar e pensa se sua vida tá no caminho certo, a resposta - quando se pensa nisso - é sempre a mesma: um sonoro NÃO. sua vida tá uma merda mesmo, não adianta se esconder. não adianta ter dengue hemorrágica, não adianta querer se isolar do mundo porque o mundo se enfia no seu quarto e teima em não sair.
ai que saudade do telegrama do meu irmão no dia do meu aniversário de 19 anos, ainda em são paulo. mensagem: que a força esteja com você. perfeito. ele foi até a agência central dos correios - porque só de lá mandavam telegramas e escreveu naquele papelzinho. agora, é um tal de telegrama online que deus me livre.
ai, queria o mundo de volta. queria a simplicidade ou a dificuldade das coisas antigas mas honestas, sinceras, queria as cartas e não os emails quando os assuntos ainda importam.
não queria esse imediatismo todo.
só queria um pouco de romance...
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
hoje, amanhã, depois...
e me coloco hoje, no final da tarde, a ler alguns dos textos escritos no começo do ano passado... quanto pessimismo cabia numa só pessoa?! quanto desencanto, quanto desencontro, quanto nada a ver?!realmente, o ano passado não foi nada fácil e, além de não fácil, foi mesmo muito difícil. lembro de voltar sozinha, numa estrada chuvosa, no dia do meu aniversário, de uma cidadezinha mais ou menos próxima, ouvindo rita lee cantando beatles e eu pensando em cada letra, no que cada uma tinha a ver com meus anos de vida, o que cada cidade pela qual eu passava representava: alguma coisa ou nada.
realmente, tantos desencontros...
por mais que eu tentasse, eu nunca encontrava nada do que procurava ou do que queria.
e, hoje, me vejo pensando em tudo novamente.
não tem muita coisa que mudou não.
continuo perdida num grande mar de interrogações e, quando eu acho que estou achando alguma coisa, perco de novo.
tenho um pouco de tudo, mas de intuição, acho até que tenho muito. e sei que perdi de novo. nem tive mas perdi...
falei.
bonequinha de luxo?!
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
tempo perdido?

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo...
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder...
Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...
Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...
Tão Jovens! Tão Jovens!...
super digno de copiar!
O QUE HÁ

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
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